“Enviai o vosso Espírito”

Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP.

Mons Joao Cla

Maravilhoso é o dom da vida! Tanto nos encantam a inocência e exuberância da criança quanto nos impressiona gravemente a consideração de um corpo humano sem vida. Inerte, encontra–se em estado de violência, de tragédia, dissonante de sua normalidade. Há pouco ainda, notava-se nele como todos os membros e órgãos, tão distintos entre si, entretanto se ordenavam em função da unidade dada pela alma. Ausente esta, o corpo inteiro entra em decomposição.

Isso que ocorre na natureza humana é imagem de algo muito mais elevado e misterioso: a relação da Igreja com o Espírito Santo. A propósito, esclarece Santo Agostinho: “O que é o nosso espírito, isto é, a nossa alma em relação a nossos membros, assim é o Espírito Santo em relação aos membros de Cristo, ao Corpo de Cristo que é a Igreja”.

Pomba do ES2

Com efeito, o Espírito Santo, com toda a propriedade, é a alma da Igreja no sentido em que não lhe comunica seu ser substantivo divino, mas lhe dá unidade, vida e movimento. Não só isso, mas Ele a santifica, promove seu crescimento e esplendor, fazendo dela “o Templo do Deus Vivo” (II Cor 6, 16).

De modo que esse corpo moral extraordinário que é a Igreja, só tem verdadeira vitalidade sobrenatural por ação do Espírito Santo. É o que afirma o Papa Paulo VI:

“O Espírito Santo habita nos crentes, enche e rege toda a Igreja, realiza aquela maravilhosa comunhão dos fiéis e une a todos tão intimamente em Cristo, que é princípio da unidade da Igreja”.

Em Jesus Cristo, a união da natureza divina com a humana tem por hipóstase o Verbo, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. E nas almas dos justos, a graça santificante, que nos torna participantes da natureza divina, é atribuída por apropriação ao Divino Espírito Santo.

O nosso Defensor

No Evangelho Nosso Senhor refere-se ao Espírito Santo como o “Defensor” (Jo 14, 16), aplicando a palavra no sentido de Advogado. Cabe ao advogado a função de defender em juízo a causa de seus clientes, apresentando todos os argumentos e provas para que estes não sejam condenados.

Ora, dada a contingência humana, todos nós cometemos faltas. Como afirma São João, com exceção apenas de Nossa Senhora e do próprio Jesus Cristo, Homem Deus, quem diz que não tem pecado é um mentiroso (cf. I Jo 1, 8).

Assim, todos somos réus e, com razão, tememos a justiça divina. Como nos apresentaremos diante do Juiz com essas lacunas? Por essa razão, o Divino Pastor nos promete enviar o Defensor para nos auxiliar na prática da Lei.

De fato, quando agimos bem, devemos ter certeza absoluta de que nossa boa ação não é fruto de nossa pobre natureza decaída, mas sim do indispensável auxílio da graça divina. Santa Teresinha experimentava claramente esta insuficiência ao escrever: “Sentimos que, sem o socorro divino, fazer o bem é tão impossível como trazer de volta o Sol ao nosso hemisfério durante a noite”.

Esse Defensor, afirma ainda Nosso Senhor, permanecerá para sempre conosco. Ou seja, estará agindo sem cessar, protegendo e consolando, embora não na mesma intensidade, e por vezes de modo imperceptível. Cabe-nos, assim, ouvirmos o que Ele nos diz no fundo da alma, seguindo os princípios e os ditames de nossa consciência. Para isso também, temos necessidade de uma graça divina.

Se formos fiéis a essas inspirações, teremos um Advogado contra as acusações apresentadas por nossa consciência e aquelas que o demônio fará a cada um de nós, no Juízo Particular.

Peçamos a Maria a vinda do seu Divino Esposo

A Divina Providência, por misericórdia, nos concede uma incomparável Intercessora que jamais Se cansará de ajudar- -nos. Peçamos à divina Esposa do Paráclito, Mãe e Senhora nossa, que nos obtenha a graça da vinda o quanto antes deste Espírito regenerador a nossas almas, conforme suplica a Santa Igreja: “Emitte Spiritum tuum et creabuntur, et renovabis faciem terræ” — “Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da Terra”.

Para aproveitarmos convenientemente as graças da comemoração de Pentecostes, que se aproxima, convido a todos a considerar a maravilha da ação santificadora do Espírito Santo em nossas almas. Quão necessitado está o mundo, na situação presente, de um sopro especial d’Ele para mudar os corações e renovar completamente a face da Terra!

Maria Santíssima: O arco-íris da esperança

Maria Teresa Pinheiro Lisboa Miranda

arco_iris2-144x300Após uma forte chuva numa pequena cidade do interior, onde não havia arranha-céus para encobrir o horizonte, deparei-me com um lindo arco-íris. Maravilhada, lembrei-me da história de Noé e da surpreendente afirmação que ouvi em idos tempos numa aula de catecismo: o arco-íris surgido no céu após o dilúvio foi uma pré-figura de Nossa Senhora. Recordemos um pouco a história narrada pelo Gênesis, para melhor compreendermos tão belo simbolismo.

Naquele tempo, “o Senhor viu que a maldade dos homens era grande na Terra (…) Então Deus disse a Noé: ‘Faze para ti uma arca de madeira resinosa (…) Eis que vou fazer cair o dilúvio sobre a Terra (…) Tudo que está sobre a Terra morrerá. Mas farei aliança contigo: entrarás na arca com teus filhos, tua mulher, e as mulheres dos teus filhos. De tudo o que vive, de cada espécie de animais farás entrar na arca dois, macho e fêmea, para que vivam contigo”.

“O dilúvio caiu sobre a Terra durante quarenta dias. (…) As águas inundaram tudo com violência, e cobriram toda a Terra, e a arca flutuava na superfície das águas. (…) As águas cobriram todos os altos montes. (…) Elas cobriram a Terra pelo espaço de cento e cinquenta dias.””Depois do dilúvio, disse também Deus a Noé: “Faço esta aliança convosco: nenhuma criatura será mais destruída pelas águas do dilúvio (…) Ponho o meu arco nas nuvens, para que ele seja o sinal da aliança entre mim e a Terra”.”

Decorridos alguns milênios tendo o coração dos homens se voltado novamente para o mal e chegada a hora de misericórdia prevista pelos profetas Deus enviou o seu próprio Filho para tirar a humanidade do dilúvio de iniquidade que inundava a Terra, e convidar os homens para entrar na nova arca. Não em uma arca material, construída por mãos humanas, mas sim, na arca por excelência: a Santa Igreja edificada pelo próprio Filho de Deus feito Homem. E para nos proteger e manter uma estreita aliança conosco, nos enviou também um arco-íris. Mas… que arco-íris? Não um mero fenômeno natural mostrando sete cores, mas sim um arco-íris vivo: Maria, a Mãe de Deus, Aquela na qual os sete dons do Espírito Santo refulgem com inigualável magnificência.

Eis o que, no século XIV, Nossa Senhora, dirigindo-se a Santa Brígida, afirmou:
Eu me estendo sobre o mundo em contínua oração, assim como sobre as nuvens está o arco-íris, que parece voltar-se para a Terra e tocá-la com suas extremidades. Este arco-íris, sou Eu mesma que, por minhas preces, abaixo-me e me debruço sobre os bons e os maus habitantes da Terra. Inclino-me sobre os bons para ajudá-los a permanecerem fiéis e devotos na observância dos preceitos da Igreja; e sobre os maus, para impedi-los de irem adiante na sua malícia e se tornarem piores”.”

São Bernardino de Siena, ilustrando seu discurso sobre o Santo Nome de Maria, comenta: “Maria une e concilia a Igreja Triunfante à Igreja Militante. Seu nascimento anuncia que, doravante, existirá a paz entre o Céu e a Terra. Ela é o arco-íris dado pelo Senhor a Noé em sinal de aliança, e como penhor de que o gênero humano não será mais destruído. E por quê? Porque é Ela que trouxe à luz Aquele que é nossa paz”.”

Quanta consolação, quanta esperança nos evocam essas palavras! Neste mundo, em que somos peregrinos, sofrimentos, tentações e perplexidades são inerentes à nossa vida. Contudo, em meio às dores e aflições, sempre vislumbramos a esperançosa figura de um incomparável arco-íris: Maria Santíssima! É Ela quem nos guia em nossa peregrinação rumo à Pátria Celestial, ajudando-nos em todas as nossas necessidades e envolvendo-nos com seu maternal, constante e infatigável amor.

“O arco-íris alegra a Terra e lhe proporciona uma chuva abundante e benfazeja. Do mesmo modo, Maria consola aos fracos, enchendo de júbilo os aflitos e inundando copiosamente os áridos corações dos pecadores, pela fecunda chuva de graça”, comenta o Pe. Jourdain em sua obra dedicada às grandezas de Maria.

Confiantes e extremamente gratos por tão insondável proteção, procuremos amá-La, honrá-La, invocá-La e servi-La a cada momento de nossas vidas, propagando sempre uma devoção piedosa e sincera a Ela, que é o único e verdadeiro Arco-Íris que nos une ao seu Divino Filho, o instrumento de aliança entre Deus e os homens.

Em novo livro, Papa explica Maria às crianças

Papa Bento XVICidade do Vaticano (RV) – Acaba de sair nas livrarias italianas o livro “Maria, a mãe de Jesus”, em que o Papa Bento XVI narra a vida da Virgem Maria e as principais festas litúrgicas em sua homenagem.

O cardeal-arcebispo de Milão, Dom Angelo Scola, autor do prefácio, escreve que das várias representações de Nossa Senhora, o Pontífice se detém numa, em particular, de tradição bizantina, a chamada “Virgem da ternura”, que retrata o Menino Jesus com o rosto colado no de sua sua mãe.

O cardeal adianta ainda que ao ler o livro do Papa, as crianças poderão notar que a mãe de Jesus, “concebida sem pecado” é, na realidade, como nós: “Viveu as mesmas alegrias que nós, as mesmas dores, momentos felizes e momentos difíceis, fadigas como as nossas e o mesmo entusiasmo, sempre confiando e colocando-se nas mãos de Deus” – explica Dom Scola no prefácio, publicado pelo “L’Osservatore Romano”.

Quando chegam os momentos sombrios, Maria nos ensina a não nos desanimarmos diante de coisas “que não funcionam ou vão mal”.

Ele convida as crianças a ler o livro do Papa e faz votos que através dessas páginas, descubram que vale a pena viver e confiar em Maria. E sugere que se ajoelhem aos pés da cama e rezem todas as noites uma Ave Maria. “Eu o faço e me ajuda muito” – garante o cardeal.

No livro de 48 páginas, ilustrado pelo italiano Franco Vignazia e editado pela “Piccola Casa Editrice”, Bento XVI percorre as etapas da vida de Maria através de todas as festividades litúrgicas que lhe dedica a Igreja. (CM)

Rádio Vaticano