Qual o modo correto de comungar?

Este tema, aparentemente simples, foi objeto de grandes controvérsias ao longo da história da Igreja, e sofreu diversas alterações em seu transcurso. Trataremos aqui de dois aspectos: A comunhão sob as duas espécies e as disposições para receber a Sagrada Comunhão

Comunhão na mão ou na boca?

As monumentais fontes literárias dos nove primeiros séculos atestam unanimemente a pratica de receber a comunhão na mão como norma geral. Desde os séculos IX ao XII deixa de ser a prática habitual e no século XIII quase desapareceu completamente.

Parece que as causas mais importantes da mudança são: a preocupação em defender a Eucaristia de erros supersticiosos, portanto evitar que as pessoas levassem a Sagrada Hóstia consigo; a defesa do significado transcendente da Eucaristia contra as ideias confusas dos povos bárbaros que se converteram em massa, e aumentar assim o respeito pelas Sagradas Espécies; e a crescente reverência para com a Eucaristia, para que só mãos consagradas as tocassem.

Este novo costume esteve vigente até depois do Vaticano II. Por causa de ilegalidades nesta matéria, algumas conferências episcopais solicitaram de Roma um critério orientador.

Então, a Congregação para o Culto Divino promulgou a instrução Memoriale Domini[1], sobre o modo de administrar a comunhão, estabelecendo que a comunhão na boca permanecia como norma geral vigente. Sem embargo, se permitia que as Conferências Episcopais solicitassem de Roma autorização para dar a comunhão na mão.

Disposições para receber a Sagrada Comunhão

A Eucaristia é a fonte de toda a graça e da remissão dos pecados. Contudo, os que tencionam receber o Corpo do Senhor, para alcançarem os frutos do sacramento, devem aproximar-se dele de consciência pura e com as devidas disposições de espírito.

Por isso, a Igreja preceitua “que ninguém consciente de pecado mortal, por mais que se julgue arrependido, se deve aproximar da Santíssima Eucaristia sem antes ter feito a confissão sacramental”.[2] Se houver, entretanto, razão grave – tal como produzir escândalo caso não comungue – e faltar a oportunidade de se confessar, deve-se fazer antes um ato de contrição perfeita, com propósito de, em tempo devido, confessar todos os pecados mortais que no presente não pode confessar.

Quanto àqueles que costumam comungar diariamente ou com certa frequência, convém que se confessem regularmente, segundo a condição de cada um.

Os fiéis devem, entretanto, considerar a Eucaristia como antídoto para se libertarem das culpas quotidianas e evitarem pecar mortalmente. E devem saber também utilizar convenientemente os atos penitenciais da liturgia, sobretudo da Missa.[3]

Veja mais: Para uma boa confissão

Conteúdo adaptado da  Revista Arautos do Evangelho de agosto de 2014.

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1 AAS 61 (1969) 541-545.
2 Cf. Conc. Trid., sessão XIII, Decr. de Eucharistia, 7: DS 1646-1647; ibid., sessão XIV, Canones de sacramento Paenitentiae, 9: DS 1709; S. Congr. da Doutrina da Fé, Normae pastorales circa absolutionem sacramentalem generali modo impertiendam, de 16 de Junho de 1972, proemio, e n. VI: AAS64 (1972), pp. 510 e 512.
3 Cf. S. Congr. dos Ritos, Instr. Eucharisticum mysterium, n. 35: AAS 59 (1967), p. 561.

Veja também: Corpus Christi

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Boletim Informativo janeiro/fevereiro 2018

A grande fé demonstrada pelos Reis Magos na Epifania nos deve servir de exemplo. A Santa Igreja Católica Apostólica Romana é a estrela que nos guia até Jesus.

Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP

A Epifania do Senhor

A Solenidade da Epifania do Senhor, ou Adoração dos Reis Magos, é para nós mais importante, em certo sentido, do que o próprio Natal – embora este seja mais celebrado
– por nos tocar muito de perto. Como assim?

Era uma época auge… Auge de decadência da humanidade! A situação social, política e, sobretudo, moral, era a pior possível. O mundo, penetrado de desprezos, ódios e invejas, havia chegado ao fundo de um abismo, e a civilização antiga encontrava-se num impasse, pois ninguém vislumbrava uma solução para a crise que lhe minava os fundamentos.

E é esse o tempo em que nasce Nosso Senhor Jesus Cristo, numa localidade judaica, em Belém, de uma Mãe judia e para os judeus. Ele dirá mais tarde aos Doze, ao enviá-los em missão: “Ide antes às ovelhas que se perderam da casa de Israel” (Mt 10, 6). Dir-se-ia que a vocação do Messias se restringia ao povo eleito. Entretanto, alguns dias depois do seu nascimento recebe os Magos, oriundos de terras longínquas, significando a universalidade da Redenção e antecipando o chamado à gentilidade, que tornaria claro na iminência de subir aos Céus, ao dar o mandato aos Apóstolos: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações;
batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28, 19).

Ele veio para todos os outros povos, portanto também para nós. Deus se manifestou a todas as classes sociais, nobres e plebeus, à multiplicidade das raças e nações, a sábios e ignorantes, aos poderosos e aos de condição humilde, sem excluir ninguém.

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Guiados por uma estrela

Um dos elementos principais, ao contemplarmos o episódio da Epifania, é a visão da estrela que levou os Magos a se porem a caminho. Segundo São Tomás de Aquino, a estrela avistada pelos Reis Magos, não era um astro como os demais, pois tinha sido criada por Deus para aquela circunstância, não no céu, mas na atmosfera, perto deles, com o objetivo de manifestar a realeza celeste do Menino que nascera em Belém.1

O Espírito Santo falou no fundo da alma dos Reis, inspirando-lhes a fé no advento do Messias. Com efeito, muitos outros avistaram a estrela, pois ela não fora invisível; todavia, nem todos acreditaram, só aqueles que foram favorecidos por moções do Espírito Santo.

Por isso ressalta São Tomás o papel da graça, como um raio de verdade mais luminoso que a estrela, a instruir os corações dos Magos. É, então, mais importante a comunicação direta do Espírito Santo, do que os meros sinais sensíveis.2

A Igreja, estrela que nos guia até Jesus

A grande fé demonstrada pelos Reis Magos na Epifania nos deve servir de exemplo. A Santa Igreja Católica Apostólica Romana é a estrela que nos guia até Jesus. Sim! Ela, a distribuidora dos Sacramentos, promotora da santificação e dispensadora de todas as graças, faz o papel de uma estrela a cintilar diante de nossos olhos, através do esplendor de sua Liturgia, da infalibilidade de sua doutrina, da santidade de suas obras, convidando-nos a obedecer à voz do Divino Espírito Santo que fala em nosso interior.

Quem a ela se abraçar terá conquistado a salvação, quem se separar dela seguirá por outros caminhos e não chegará à Belém eterna, onde está aquele Menino, agora sim, glorioso e refulgente pelos séculos dos séculos.

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1 Cf. SÃO TOMÁS DE AQUINO, Suma Teológica, III, a.7; a.5.
2 Cf. Idem, a.5, ad 4.

Veja também: Um profético documento pontifício sobre o Santo Rosário

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Natal com os necessitados

Membros do Apostolado do Oratório e cooperadores dos Arautos, juntamente com sacerdotes, visitaram um hospital infantil e um hospital geriátrico neste último Natal

O Bom Samaritano, por Francesco Fontebasso. Museu Diocesano de Trento – Italia

A alegria da caridade

No dia 23 de dezembro, a visita foi no Hospital Infantil Cândido Fontoura, no bairro da Mooca em São Paulo. E no próprio dia  de Natal, os idosos do hospital Geriátrico Pedro II foram visitados pelos Arautos do Evangelho. Em ambos locais foram entregues presentes, distribuídos bençãos e escapulários aos pacientes e funcionários, como também,  alguns sacramentos foram ministrados.

No Hospital Geriátrico Dom Pedro II a visita contou com a presença de sua excia. revma. Dom Sergio de Deus, bispo auxiliar de São Paulo, o qual congratulou-se com os Arautos e presidiu a Celebração Eucarística na capela do hospital.

As fotos a seguir dizem mais que mil palavras.

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 Veja também: Visita à famílias carentes na Bahia

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Posturas e atitudes na igreja e nas missas

Na liturgia da Missa, a Igreja ordena que certos gestos e posições sejam adotados porque são apropriados para reconhecer o mistério que se celebra

Pe. Rafael Ramón Ibarguren Schindler*, EP

Membros do Oratório em Missa na Basílica dos Arautos em Caieiras/SP

É evidente que diante do Santíssimo Sacramento, uma posição reverente deve ser tomada, e ao dizer isso, diz-se pouco, pois se está diante do próprio Deus! A dignidade no vestir, a sobriedade nos movimentos, a circunspecção no discurso, mesmo o cuidado de silenciar o celular, em suma, tudo isso, são atenções e atitudes que se impõe.

Na liturgia da Missa, a Igreja ordena que certos gestos e posições sejam adotados porque são apropriados para reconhecer o mistério que se celebra. Não é um show, nem um hobby, nem muito menos uma diversão. Tanto quanto a companhia do Senhor nos enche de alegria, a dimensão do mistério que se celebra não pode deixar de ser considerada uma prioridade.

Desta forma, com a postura corporal e o decoro, estaremos fazendo a participação inteligente e frutífera que a celebração do mistério cristão exige. Esse cuidado a Igreja quer não apenas nas celebrações em comunidade; Também é válido para adoração pessoal silenciosa ou em pequenos grupos.

A Instrução Geral do Missal Romano (que contém as normas para a celebração da Missa) nos diz algo muito importante: “A postura uniforme, seguida por todos os que fazem parte da celebração, é um sinal de comunidade e unidade da assembleia , uma vez que expressa e promove a unidade de todos os participantes”.

Nada mais grotesco e até chocante que, no meio da Missa ou adoração eucarística, uma pessoa se destaque por suas atitudes originais e chamativas, como se prostrar no chão ostensivamente, falar alto ou coisas assim. E infelizmente existem! Na adoração de Deus, deve-se considerar Sua Divina Majestade e não os sentimentos do fiel. É claro que haverá particularidades próprios para regiões com diferentes tradições; Como, por exemplo, em certas regiões do Oriente onde se retira os sapatos e se cobre a cabeça …

Em qualquer caso, as posturas corporais diante da Eucaristia são basicamente três: estar de joelhos, ficar de pé e sentado. Essas modalidades não são exclusivas, haverá outras; mas estas são as mais apropriadas.

Parece uma banalidade dizer algo tão óbvio. Ou uma mediocridade chegar a este ponto, uma vez que o principal não é o que é exibido, mas o que se leva interiormente. Por exemplo, é mais importante do que sentar ou estar de joelhos, é ter feito uma boa confissão para que se possa aproximar do Senhor com uma consciência limpa. Claro, isso vale mais do que a qualidade do vestido ou a posição do corpo.

Mas hoje nota-se que a compostura não é das melhores nos dias que correm e a educação está em queda livre. Não é incomum ver em momentos importantes e solenes de adoração, homens com as mãos nos bolsos ou as pessoas que falam em telefones ditos “inteligentes”…

Estando de joelhos, ficar de pé ou sentado são posições apropriadas que correspondem a razões de fé, história e estética. A postura ajoelhada é penitencial, de arrependimento e humildade. São Basílio diz que é assim que se mostra que o pecado nos levou à terra. Mas não é apenas penitencial, é oração e súplica. No Novo Testamento existem várias referências sobre o quanto os primeiros cristãos, especialmente São Paulo, ficavam de joelhos. O apóstolo chega a dizer: “é por isso que eu inclino meus joelhos diante do Pai” (Ef 3, 14).

Celebração Eucarística na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima dos Arautos em Cotia/SP

Estar de pé é a postura do sacerdote, mas também dos fiéis nas celebrações litúrgicas, especialmente na espiritualidade do Oriente, de onde veio o cristianismo. Levantar-se e ficar de pé diante de uma pessoa que se quer honrar é a atitude certa. Em pé, enquanto colocamos nosso corpo na direção do céu, enfatizamos para louvar o Senhor. É uma atitude de escuta. Hoje em dia, o normal é ouvir uma exposição sentado enquanto o falante está em pé. Mas antes não era assim: o professor ou o conferencista sentavam-se e as pessoas o ouviam, perto ou distantes, mas de pé.

Sentado ajuda a relaxar e facilitar a meditação. As leituras na missa (exceto o Evangelho) são ouvidas enquanto estão sentadas. Foi assim que Maria Madalena estava aos pés do Senhor, bem como, o próprio Menino Jesus no meio dos doutores da lei.

Missa na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, Águas da Prata/SP

Agora, acontece que nosso corpo geralmente sofre desconforto, especialmente quando se está em idade avançada. É importante que o corpo não seja um obstáculo para a oração, ao contrário, deve ser um “aliado”. Dependendo das circunstâncias, às vezes temos que saber como domesticá-lo e outras vezes temos que entrar em um acordo diplomático … Queremos estar de joelhos, mas o incômodo é grande? Então nos sentamos. Estamos sentados e o sono nos tenta? Nos levantamos.

Ama Deum et fac quod vis, “ame a Deus e faça o que quiser”, afirmou Santo Agostinho. Esta é uma regra de ouro. Se amamos a Deus ou, pelo menos, se quisermos amá-lo seriamente, necessariamente agiremos bem, mesmo nos pequenos gestos.

Por sua parte, o autor dessas linhas pode testemunhar que foi isso que ele aprendeu e se esforça para viver na comunidade dos Arautos do Evangelho da qual faz parte. O carisma dos Arautos é muito bem expresso no sublime mandamento: “Sede, portanto, perfeitos, assim como o vosso Pai Celestial é perfeito” (Mt 5, 48). Portanto, fiquemos “perfeitamente” diante do Senhor!

Assunção, Paraguai, novembro de 2017.

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* Conselheiro de Honra da Federação Mundial das Obras Eucarísticas e da Igreja.

Veja também: Por que na Missa não se diz “amém” no final do Pai-Nosso?

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Há um ano …

No ano de 2016, os missionários percorreram mais de 25 000 Km, passando por 10 estados do território nacional realizando Missões em mais de 30 cidades. Entretanto, muito mais significativo do que estes números, foram a acolhida dos fiéis e as graças de Nossa Senhora

Ir. Mozart Ramiro, EP

Paróquia São José em Guapiara

Em dezembro o ano encerrou-se na cidade de Guapiara/SP, na Paróquia São José. Em seguida, já em janeiro, as primeiras missões de 2017 foram em Campos Novos Paulista/SP, na Paróquia São José, em Fartura/SP, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, e em Águas da Prata/SP, na Paróquia Nossa Senhora Aparecida e São Roque. (fotos abaixo).

Com a grata lembrança dos dias que passamos juntos, deixamos aqui nossos calorosos cumprimentos a estas cidades pelo aniversário de um ano de tão importante trabalho de evangelização.

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Meditação do Primeiro Sábado janeiro 2018

I Mistério Luminoso – O batismo de Jesus às margens do Rio Jordão

Batismo de Jesus – Catedral de Como – Itália

Festa de esperança e santa alegria

Divindade e humildade de Cristo

Tu és o meu filho amado, em ti ponho o meu bem-querer”. Na festa do Batismo de Jesus ecoam estas palavras solenes. Elas nos convidam a reviver o momento em que Jesus, batizado por São João, sai das águas do rio Jordão e Deus Pai O apresenta como seu Filho unigênito, o Cordeiro que tira o pecado do mundo.

Ouve-se uma voz que provém do céu, enquanto o Espírito Santo, em forma de pomba, desce sobre Jesus que dá início público à sua missão de salvação. Missão caracterizada pelo estilo do servo manso e humilde, preparado para a abnegação total.

clique acima e tenha acesso ao texto da Meditação

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