A menor Igreja de Roma

Eis que, ao pronunciarem as palavras “esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei”, a pintura de Nossa Senhora moveu as pupilas, dirigindo aos presentes seu olhar cheio de ternura e afeto

Caminhando pelas ruas da Cidade Eterna, o visitante depara-se com muitos oratórios ostentando atraentes imagens de Nossa Senhora, aos quais os romanos dão o carinhoso nome de madonnelle. Encontram-se eles nos ângulos de palácios ou de simples casas, em praças e, com freqüência, no final de algum beco. Em quase todos, a imagem da Virgem é ornada por bela moldura e ladeada por artísticas lanternas.

Como todas as coisas surgidas sob o benéfico influxo da Santa Igreja, esses oratórios tinham também uma utilidade secundária, mas não destituída de importância, na época em que era muito escassa a iluminação pública de Roma: sem as luzes de suas lanternas, a maior parte das ruas da cidade permaneceria na completa escuridão.

Outrora, eles eram milhares, hoje não passam de quinhentos. O mais famoso deles é o oratório de “Nossa Senhora Causa de nossa Alegria” (Madonnelle Causa Nostrae Laetitiae), o qual tem uma encantadora história.

Entrada do Santuário da Madona dell’ Archetto

Está localizado num beco do centro de Roma, debaixo de um archetto (pequeno arco, em italiano). Por isso, sua imagem desde sempre foi conhecida pelo nome de Madonna dell’Archetto. Diante dela o povo costumava reunir-se para rezar, atraído por sua beleza e doçura, bem como pelo recolhimento daquele pequeno recanto.

No dia 9 de julho de 1796, ante o perigo iminente de a Cidade Eterna ser invadida e saqueada por exércitos inimigos, reuniu-se diante da Madonna dell’Archetto um grande número de fiéis, implorando, por seu intermédio, o auxílio divino. Depois de rezarem o rosário, eles começaram a recitar a Salve Rainha.

Eis que, ao pronunciarem as palavras “esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei”, a pintura de Nossa Senhora moveu as pupilas, dirigindo aos presentes seu olhar cheio de ternura e afeto.

Surpresa e júbilo de todos! Tanto mais que o milagre se repetiu. Mais ainda, começou a operar-se também nas imagens de alguns outros oratórios.

Diante disso, a opinião pública se dividiu. De um lado, os inimigos da Religião alegavam: “Isto não passa de uma ilusão de ótica, efeito do calor do verão romano ou… do ótimo vinho italiano”.

Porém, a piedade lúcida dos fiéis fez pouco caso da zombaria dos incrédulos e pôde comprovar cientificamente a amplitude do movimento dos olhos. E um rigoroso processo canônico confirmou a autenticidade dos milagres, não apenas da Madonna dell’Archetto, mas também de outras doze madonnelle.

Altar do Santuário da Madonna dell’ Archetto

Passadas algumas décadas, face ao crescente afluxo de devotos, o beco da Madonna dell’Archetto foi transformado numa recolhida capela. Pouco tempo depois, foi elevado à categoria de Santuário.

É a menor igreja de Roma e, talvez, do mundo.

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 (Revista Arautos do Evangelho, Julho/2004, n. 30, p. 37)

Veja também: Nossa Senhora do Bom Conselho, um milagre permanente

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