O Pastor ama e conhece profundamente suas ovelhas

A dois mil e treze anos do início da era cristã, num mundo marcado por contínuas mudanças, com evoluções e revoluções, avanços e regressos, guerras e tratados de paz, a voz do Divino Pastor continua a chamar suas ovelhas e atraí-las para junto do Seu celestial rebanho. O Evangelho nunca sairá de moda, ele chegou até nós através do Ungido de Deus, o Cristo (no Grego) ou Messias (pelo hebraico). Por isso, há séculos a Igreja proclama ufana Cristo ontem, hoje e sempre!

De forma profunda, clara e atraente, o presente comentário de Mons. João Clá Dias ao Evangelho de São João recorda-nos eficazmente do amor de Deus para com suas frágeis criaturas.

“As minhas ovelhas ouvem a minha voz, Eu as conheço, e elas Me seguem” (Jo 10, 27).

Mons. João Clá Dias

A Sabedoria infinita de Deus nelas (ovelhas) pensou desde toda a eternidade, para assim melhor Se fazer entender pelos homens no relacionamento entre Criador e criatura. A própria natureza da Judeia facilitava as características desta simbologia usada pelo Divino Mestre. A terra naquelas regiões não era fértil para a plantação, devido aos seus consideráveis trechos pedregosos e um tanto áridos. O pastoreio ali se adaptava mais comodamente do que a agricultura e, assim mesmo, exigia do rebanho um grande número de deslocamentos. Essa situação redundava na necessidade de vigilância e aplicação mais esmeradas do pastor. As circunstâncias tornavam mais nítidas as diferenças entre o autêntico pastor e o mercenário. Deus quis o nascimento da figura do pastoreio e a colocou com destaque na pluma dos literatos. Até os poetas pouco dados a compreenderem a excelsitude da castidade são levados a realçar a pureza virginal do zelo caridoso dos pastores, em geral, por suas ovelhas.

A vida do pastor nos leva a considerar seu amor casto, inocente, governando sem decretos, muito pelo contrário, baseado num relacionamento íntimo, fortemente paternal — talvez melhor se diria maternal — através do qual atende todas as conveniências e necessidades de suas ovelhas. Ele sabe entretê-las, defendê-las, ampará-las, levá-las a pastar e até mesmo agradá-las com seus cantos ou com as melodias de sua flauta. “Ele chama as suas ovelhas uma a uma pelos seus nomes” (Jo 10, 3). São Tomás de Aquino ressalta a grande familiaridade existente nesse relacionamento, pois chamar pelo nome significa ter íntima amizade. Ao revertermos os símbolos aos simbolizados, a realidade e a significação se tornam incomparavelmente mais profundas. Cristo conhece a natureza e o ser de cada uma de suas ovelhas, e também o objetivo imediato, tanto quanto o último, para o qual foram criadas, assim como o que são e o que poderão vir a ser com o auxílio de sua graça. Por isso o Doutor Angélico julga ver nesse “chamar pelo nome” (nominatim) “a eterna predestinação, pela qual Deus conhece cada ovelha, cada homem” (São Tomás, Comentario in Io., 10, lec. Iª, 3 – Marietti, p. 280.).

Foto: Vitor Toniolo

O homem, o mais elevado ser percebido por nossos sentidos, não é criado em série. Deus aplica seu poder criador sobre cada pessoa, uma a uma, e por isso não há homens iguais, nem moral nem fisicamente, nem sequer no referente às circunstâncias da vida individual e menos ainda no que tange à vocação pessoal. Daí a profundidade insondável desse conhecimento dispensado por Jesus a cada um de nós, a ponto de compará-lo ao existente entre o Pai e o Filho (Jo 10, 15), ato eterno tão absoluto que, através dele, uma Pessoa divina é gerada pela outra. O conhecimento que o Pai tem do Filho, portanto, não é uma imagem intelectual acidental, como acontece em nós, ao fazermos uso de nossa razão. O conhecimento do Pai é substancial e amoroso, através do qual, por geração, Ele dá sua própria essência ao Filho. Este, por sua vez, com amor substancial e infinito também, restitui ao Pai o que d’Ele recebe; e tão rico é esse amor mútuo que dele procede o Espírito Santo. Ora, aí está o padrão do conhecimento de Jesus a cada um de nós. Por isso nada de nosso exterior ou interior — seja-nos nocivo ou útil, nossas enfermidades físicas ou espirituais, seus remédios, etc. — nada foge à sua onisciência. Não há em Jesus uma fímbria sequer de frieza nesse conhecimento em relação a nós, como Ele mesmo disse e realizou na figura do Bom Pastor, aquele que dá a vida por suas ovelhas.

Por outro lado, as ovelhas seguem o Pastor. Pela sua graça, conhecem as maravilhas que estão n’Ele, sua doutrina dotada de potência, sua vida, sua misericórdia, sua sabedoria, numa palavra, sua humanidade e divindade. E, por isso, ao ouvirem sua voz, elas O seguem, como Saulo no caminho de Damasco (At 9, 5-9) ou como Madalena ao ser chamada pelo nome, junto ao Sepulcro do Senhor (Jo 20, 16). Portanto, ao conhecê-Lo, seguem-No no cumprimento de seus desígnios: “Aquele que diz conhecê-Lo e não guarda os seus mandamentos é mentiroso e a verdade não está nele” (1 Jo 2, 4). Quando ouvem sua voz, enchem-se de amor pelo Pastor, a ponto de estarem dispostas a entregar suas vidas por Ele, e ardem do desejo de que Ele inabite em suas almas.

(Excerto do Artigo “Somos todos ovelhas de Jesus?” de Mons. João Clá Dias – Revista Arautos do Evangelho, nº 64, abril de 2007.)

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Veja também: “Enviai o vosso Espírito”

“Coleção Conheça sua Fé” proporciona aprofundamento da doutrina católica

No século IV, numa linguagem um tanto veemente e ardorosa pelo combate à heresia ariana, assim se expressava o grande Santo Atanásio:

Sempre resultará proveitoso esforçar-se em aprofundar o conteúdo da antiga Tradição, da doutrina e da fé da Igreja Católica, tal como o Senhor no-la entregou, tal como a pregaram os Apóstolos e a conservaram os Santos Padres. Nela, efetivamente, está fundamentada a Igreja, de maneira que todo aquele que se aparta desta fé, deixa de ser cristão e já não merece tal nome (Carta I a Serapião).

Como nos ensina a Santa Madre Igreja, é dever do cristão aprofundar-se no conhecimento das verdades eternas contidas no catecismo. A negligência de tal aprendizado chega até mesmo ser considerada uma falta grave, já que implica em nossa salvação.

Com o objetivo de levar os fiéis a um maior aprofundamento da fé cristã, professores e alunos do Instituto Teológico São Tomás de Aquino, prepararam uma obra rica em conhecimento doutrinário e teológico, porém com linguagem acessível a leigos.

Clique na Imagem para ver mais detalhes!


 Veja também: Coleção o Inédito sobre os Evangelhos

A “Cidade Canção” cantou um novo hino…

Por Cícero Sobreira de Sousa

No último fim de semana de outubro, os Arautos do Evangelho realizaram na cidade de Maringá (PR) um encontro com os participantes do Apostolado do Oratório e Mensageiros de Fátima. A “Cidade Canção” cantou um novo hino, hino de fé e adesão aos princípios da Religião.

A Tarde de Louvor com Maria aconteceu na Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, no bairro Jardim Itália. Vinte e uma paróquias de quatro cidades da região estavam representadas no evento.

Um vasto e bem preparado programa cobriu os vários aspectos de um acontecimento religioso, formativo e cultural, com a participação de casais cooperadores dos Arautos de Maringá, Astorga e São Paulo.

Abrindo a agenda, os presentes ouviram, com viva atenção, a palestra de um arauto desenvolvendo o tema: A devoção a Nossa Senhora e o Apostolado do Oratório no contexto do Ano da Fé. A exposição concluiu com os assistentes aclamando: “Tudo com Jesus, nada sem Maria!”

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Logo após, a banda dos Arautos do Evangelho fez uma apresentação musical que encheu de alegria o vasto ambiente do moderno templo, mas, sobretudo, os corações dos presentes que aplaudiam e ovacionavam de contentamento.

Tarde com Maria-Maringa

Um suculento lanche partilhado pelos Cooperadores dos Arautos proporcionou momentos de alegre convívio ao grande número de adultos, jovens e crianças presentes.

Depois, num rito simples, com a breve explicação sobre a história e os benefícios do escapulário do Carmo, os fiéis foram agraciados com a imposição desse sacramental.

Tarde com Maria-Maringa

Mas o ponto alto da tarde, que entrou pela noite, foi a solene Celebração da Eucaristia pelo Revmo. padre arauto, Roberto Takeshi Kyota, e diaconado pelos diáconos paroquianos Bento Chinaglia e Oscar José dos Santos. O enorme templo estava lotado!

Antes de concluir a celebração, a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, sob a invocação de Seu Imaculado Coração, foi coroada pelo casal Shiguemassa e Cleusa Iamasaki, distinguidos entre os pioneiros do Apostolado do Oratório em Maringá.

Tarde com Maria-MaringaConcluindo o evento, a concorrida procissão iluminada por uma feeria de tochas e velas pelas ruas da paróquia, levou ao ar as piedosas orações do Rosário, entremeadas pelos vivas! e os hinos religiosos do povo da cidade musical.

Mede-se o valor de um acontecimento pelas reações dos que o assistem. Aqui não foram os que assistiram, mas os que, efetivamente, estavam engajados e participativos: “Faz tempo que eu não venho a uma procissão. Mas a esta eu quis vir, e estou feliz por ter vindo”, disse um senhor. “A palestra valeu, valeu! Fez claros muitos pontos”; “Que Missa linda!”; “Que bonita procissão!” “Foi tudo uma bênção!”. Essas foram exclamações que se ouviam de muitos lábios.

No afã de ajudar aos seus irmãos e irmãs na fé, os Arautos do Evangelho movimentam-se para semelhantes eventos ainda este ano, e já agora começam a preparar a agenda do próximo, sob o olhar e a proteção da Mãe comum de todos os Cristãos.

Tudo com Jesus, nada sem Maria!!!          

As fotos abaixo ilustram o memorável acontecimento:

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Veja também: Apostolado do Oratório em Herculândia (SP)

Os anjos na doutrina da Igreja

Numa época tão materialista como a de nossos dias, com avanços tecnológicos alucinantes, pareceria improvável que as pessoas ainda recorressem ao mundo angélico. Sem dúvida alguma, o universo dos anjos é algo que ainda hoje causa especial fascínio. Conhecer mais sobre a sua natureza e missão, é deveras útil e interessante. Com este objetivo, publicamos um artigo sobre os Santos Anjos do Sr. Guy Gabriel de Ridder, dos Arautos do Evangelho.

Recorrer aos anjos está ficando cada vez mais na moda. Mas o que sabe a grande maioria das pessoas a respeito dessas criaturas espirituais e imortais?

Guy Gabriel de Ridder

Após uma época de ceticismo e materialismo triunfante, durante a maior parte dos séculos XIX e XX, o Ocidente voltou a demonstrar uma definida apetência pelo mundo dos espíritos. Se até duas ou três décadas atrás, falar de anjos era considerado por muita gente como sinal de imaturidade ou de falta de cultura, hoje em dia tornou-se moda.

Abundam os filmes e livros retratando seres extraordinários, poderosos, dotados de qualidades sobrenaturais, seres super-humanos ante os quais o comum dos mortais é impotente. Não será isso um sintoma de interesse pelo mundo angélico? Ao lado da fantasia e do mito, obras esotéricas de grande divulgação apresentam uma visão distorcida desses seres espirituais, e a ignorância religiosa só fez aumentar os equívocos nesta matéria.

Se quisermos saber a realidade sobre os anjos, onde achar a verdade no meio de tanta desinformação?

As Sagradas Escrituras

Catedral de Notre Dame – Paris | Foto: Sergio Holmann

Muito antes das definições teológicas dos últimos séculos, o ensinamento sobre os anjos encontra-se fundamentado na autoridade das Sagradas Escrituras e dos Padres da Igreja.

Tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, numerosas passagens nos mostram os anjos em ação, na tarefa de proteger e guiar os homens, e servindo de mensageiros de Deus. O versículo 11 do Salmo 90 menciona claramente os Anjos da Guarda: “Deus confiou a seus anjos que te guardem em todos os teus caminhos”.

Se nalgumas ocasiões os anjos da mais alta hierarquia celeste são os encarregados de missões na terra — casos de São Gabriel e São Rafael — em muitas outras trata-se por certo de uma atuação do anjo guardião da pessoa concernida, mesmo se a Bíblia não o mencione especificamente. Tem-se essa impressão na leitura do profeta Daniel, salvo de ser devorado no cárcere por feras famintas, pois ele declara ao rei Dario: “Meu Deus enviou o seu anjo, que fechou a boca dos leões, os quais não me fizeram mal algum” (Dn 6, 22). Do mesmo modo, nos Atos dos Apóstolos, quando vemos São Pedro ser libertado da prisão por um anjo (cf. At 12, 1-11).

Nosso Senhor faz uma referência muito clara aos Anjos da Guarda, quando diz: “Vede, não desprezeis um só desses pequeninos; pois vos declaro que os seus anjos nos Céus veem incessantemente a face de meu Pai, que está nos Céus” (Mt 18,10).

São Paulo, na Epístola aos Hebreus, ensina que todos os anjos são espíritos a serviço de Deus, o qual lhes confia missões em favor dos herdeiros da salvação eterna (cf. Hb 1,14).

Os Padres da Igreja

Na esteira das Sagradas Escrituras, a maioria dos Padres da Igreja trata dos anjos enquanto nossos guardiães. São Basílio Magno, na obra Adversus Eunomium, declara: “Cada fiel tem a seu lado um anjo como protetor e pastor, para o conduzir à vida”.

No século II, Hermas, na obra “O Pastor”, diz que todo homem possui seu Anjo da Guarda, o qual o inspira e o aconselha a praticar a justiça e a fugir do mal. No século III, a crença nos Anjos da Guarda de tal maneira estava arraigada no espírito cristão, que Orígenes lhe dedica várias passagens. E sobre a mesma matéria encontramos belos textos de São Basílio, Santo Hilário de Poitiers, São Gregório Nazianzeno, São Gregório de Nissa, São Cirilo de Alexandria, São Jerônimo, os quais nos ensinam: o Anjo da Guarda preside às orações dos fiéis, oferecendo-as a Deus por meio de Cristo; como nosso guia, ele solicita a Deus que nos guarde dos perigos e nos conduza à bem-aventurança; ele é como um escudo que nos envolve e protege; ele é um preceptor que nos ensina a cultuar e a adorar; nossa dignidade é maior por termos, desde o nascimento, um anjo protetor.

Desdobramentos posteriores

No século XII, Honório de Autun promoveu a doutrina de que cada alma, no momento em que é unida ao corpo, é confiada a um anjo cuja missão é induzi-la ao bem e dar conta de suas ações a Deus. Santo Alberto Magno e São Tomás de Aquino, no século XIII, ensinaram, com São Pedro Damião, que o Anjo da Guarda não abandona nem sequer a alma pecadora, mas procura levá-la ao arrependimento e reconciliação com Deus.

Em 1608, o Papa Paulo V instituiu a festa dos Santos Anjos da Guarda. Posteriormente, em 1670, coube ao Papa Clemente X fixar sua comemoração de modo definitivo no dia 2 de outubro, tornando-a obrigatória para toda a Igreja.

O Catecismo da Igreja Católica trata da missão do Anjo da Guarda em relação a nós, dizendo: “Desde o início até a morte, a vida humana é cercada por sua proteção e por sua intercessão” (nº 336). E o Papa João Paulo II, na Audiência Geral de 6 de agosto de 1986, acentua que “a Igreja confessa sua fé nos Anjos Custódios, venerando-os na Liturgia com uma festa especial, e recomendando o recurso à sua proteção com uma oração frequente, como na invocação ao ‘Santo Anjo do Senhor’.”

Fonte: Revista Arautos do Evangelho, nº 58, outubro de 2006.

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Amor a Deus: O maior de todos os Mandamentos

Foto: Gustavo Kralj

O eminente doutor e místico da Igreja, São João da Cruz, sintetiza numa frase cheia de poesia e beleza o que mais pesará em nosso juízo diante do Altíssimo, ao findar de nossa existência humana: “No entardecer desta vida, sereis julgados segundo o amor!”

Como todas as virtudes, o amor encontra seu fundamento e sua essência em Deus, fonte de todo o bem. Em seu artigo na Revista Arautos do Evangelho de outubro de 2008: “A sabedoria humana contra a Sabedoria divina”, o Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP, fundador e presidente dos Arautos do Evangelho, discorre admiravelmente sobre a resposta de Nosso Senhor aos fariseus, quando estes lhe perguntaram qual o maior dos Mandamentos (Mt 22, 34-40).

Abaixo um dos trechos mais significativos de seu artigo.

Jesus, supremo modelo de amor

Para se atingir o mais alto grau de perfeição da virtude do amor é indispensável admirá-la em Cristo Jesus e imitá-Lo. O amor do Filho de Deus, é todo especial, por se desenvolver dentro de um prisma sobrenatural e ter por objeto o Ser Supremo. Há, portanto, uma notável diferença entre Ele e nós. No Verbo Encarnado, o amor divino e o humano se reúnem numa só Pessoa, pela união hipostática.

Quanto a nós, “o amor de Deus se derramou em nossos corações por virtude do Espírito Santo” (Rm 5, 5); ou seja, ele nos é dado. Para poder alcançá-lo, devemos pedi-lo.

Apesar desta diferença, Jesus é o nosso insuperável modelo, pois é impossível encontrar n’Ele qualquer sombra de interesse que não seja a glória do Pai. Assim também deve ser o nosso amor. E, se bem que em Jesus nunca tenha havido fé — pois, desde o primeiro instante de Sua existência, a alma d’Ele esteve na visão beatífica — em nós, essa virtude deve estar sempre acompanhada de um caloroso amor, o mais semelhante possível ao de Jesus.

(Excerto do artigo ““A sabedoria humana contra a Sabedoria divina” do Mons. João Scognamiglio Clá Dias – Revista Arautos do Evangelho nº 82 – outubro de 2008.)

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Santa Faustina Kowalska e a missão de “apóstolo” da Divina Misericórdia

Santa Maria Faustina Kowalska

O texto que reproduzimos abaixo é de autoria da irmã Mônica Erin Macdonald, dos Arautos do Evangelho. Com muita propriedade, pergunta ela no início de seu artigo se “poderá este terceiro milênio, imerso no pragmatismo e no ateísmo prático, compreender um Amor sem limites, desinteressado, que não deseja nada mais que a salvação das almas, sem buscar nada em troca, além da reciprocidade?”

As revelações de Nosso Senhor a Santa Maria Faustina Kowalska estão perfeitamente alinhadas com as do seu Sagrado Coração à mística visitandina Santa Margarida Maria Alacoque. Nelas a misericórdia é o centro capital de Sua mensagem.

Missão de “apóstolo” da Divina Misericórdia

Em 1º de maio de 1933, Irmã Faustina fez os votos perpétuos. Sua missão de “apóstolo” da Divina Misericórdia já tinha se tornado explícita com as contínuas revelações e mensagens de Jesus: “No Antigo Testamento, Eu enviava profetas ao Meu povo com ameaças. Hoje estou enviando-te a toda a humanidade com a Minha misericórdia. Não quero castigar a sofrida humanidade, mas desejo curá-la, estreitando-a ao Meu misericordioso Coração”.

A fervorosa Irmã se entregou, com todo o empenho de sua alma, a essa importante missão, apesar de sentir em si tanta incerteza e incapacidade. “Secretária do Meu mais profundo mistério”, foi o título dado por Jesus à sua “apóstolo” da Misericórdia Divina.

As mensagens e revelações que ela recebia foram anotadas num Diário, escrito por expressa determinação do Divino Redentor: “Tua tarefa é escrever tudo que te dou a conhecer sobre a Minha misericórdia para o proveito das almas que, lendo esses escritos, experimentarão consolo e terão coragem de se aproximar de Mim”.

As páginas do Diário estão repletas de recordações das visões e íntimas conversas com Nosso Senhor e Nossa Senhora, das comunicações com Anjos, santos, e almas do purgatório, além de até mesmo uma visita ao Inferno e ao Purgatório. Simples, mas ao mesmo tempo de surpreendente profundidade teológica, o Diário é um tesouro de ensinamentos sobre a Divina Misericórdia.

Dar a conhecer os desejos do Salvador

Jesus, eu confio em Vós!

Muitas das revelações tratavam de modo especial sobre a devoção à Misericórdia Divina, dada por Jesus especialmente para os dias nos quais vivemos: “A humanidade não encontrará paz enquanto não se voltar com confiança para a Misericórdia Divina”.

Nelas, Jesus manifesta enorme desejo de que as almas se voltem para Ele, com humildade, reconhecendo suas culpas, para que Ele faça valer Sua misericórdia: “Que toda alma glorifique a Minha bondade. Desejo a confiança das Minhas criaturas; exorta as almas a uma grande confiança na Minha inconcebível misericórdia. Que a alma fraca, pecadora, não tenha medo de se aproximar de Mim, pois, mesmo que os seus pecados fossem mais numerosos que os grãos de areia da Terra, ainda assim seriam submersos no abismo da minha misericórdia”.

Para que o mundo pudesse se beneficiar de tanta bondade, era necessário promover e divulgar essa devoção, conforme pedira o próprio Jesus: “Desejo que os sacerdotes anunciem essa Minha grande misericórdia para com as almas pecadoras. Que o pecador não tenha medo de se aproximar de Mim. Queimam-me as chamas da misericórdia; quero derramá-las sobre as almas”.

Esta grande missão acarretou à Santa inumeráveis sofrimentos, pois nem sempre fora compreendida pelos que a cercavam. Até que Nosso Senhor lhe concedeu, em 1933, um confessor sábio e prudente, o padre Miguel Sopocko. Ele a aconselhou e ajudou durante anos, guiando-a nas suas dúvidas e dificuldades.

(Extração do artigo: “A ‘secretária’ da Divina Misericórdia” – Ir. Mônica Erin Macdonald, EP – Revista Arautos do Evangelho nº 94 – Outubro de 2009.)

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