Tesouro de bondade e misericórdia

Ao considerar a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, corremos o risco de ficar muito aquém do tesouro de bondade e misericórdia que essa forma de piedade coloca à disposição dos fiéis

Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias, EP

Querendo resgatar o gênero humano transviado pelo pecado de nossos primeiros pais, Nosso Senhor Jesus Cristo derramou até sua última gota de sangue na Cruz. E, se necessário fosse, teria feito esse supremo sacrifício para salvar individualmente cada um de nós.

Desse ato de amor e holocausto nasceu a Santa Igreja, erigida por Nosso Senhor para restaurar e aperfeiçoar o estado de graça perdido pelo homem por causa do pecado dos nossos primeiros pais. Sociedade perfeita e visível, ela purifica as almas pelo Batismo, administra-lhes os Sacramentos e as faz participar da vida divina, em vista da eterna bem-aventurança.

Diante de tão insondável manifestação de benquerença, impossível é deixarmos de nos sentir amados por Deus apesar das nossas misérias. Mesmo após termos rolado na lama do pecado, podemos contar com os infinitos méritos obtidos pelo Sacratíssimo Coração de Jesus durante sua Paixão, certos de que Ele tudo fará para nos resgatar.

Inclusive nossas misérias oferecem ao Coração de Jesus oportunidade de manifestar sua infinita bondade e seu incomensurável desejo de perdoar, redundando tudo em maior glória para Deus.

Devemos, pois, nos encher de confiança e afastar a menor incerteza em relação ao amor do Criador por nós. Mas precisamos, sobretudo, ter um desejo ardoroso de nos entregar totalissimamente nas mãos da Divina Providência, sem jamais pensar em obter qualquer benefício pessoal desligado da glória do Altíssimo. Pois qualquer bem que possamos excogitar para nós nada será em relação àquela participação nas perfeições divinas que Ele nos reservou desde todo sempre.

Assim, quando fecharmos os olhos para este tempo e nascermos para a eternidade, teremos uma glória essencial e acidental inimaginável, participação da própria glória de Deus. Por quê? Porque, como ensina Santo Agostinho, quando Deus nos recompensa, Ele coroa seus próprios dons.1 Cientes desta maravilha, confiemos nesse Sacratíssimo Coração que nos amou até o fim, e se inclina tanto mais sobre as criaturas quanto mais necessitam elas de perdão.

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Complemento indispensável para estas considerações é uma referência Àquela cujo Imaculado Coração, no dizer de São João Eudes, é tão unido ao do seu divino Filho a ponto de ambos formarem um só: o Sagrado Coração de Jesus e Maria.2 E, assim como Nosso Senhor considerou todos os homens no Horto das Oliveiras, assim a Mãe da Igreja deve ter vislumbrado naquele instante todos os que haveriam de fazer parte do Corpo Místico de Cristo.

A grandeza do Imaculado Coração de Maria é um mistério que nossa inteligência não alcança. Sem dúvida, Ela rezou no Calvário por todos. E hoje, Ela acompanha do Céu as dificuldades e alegrias de cada um dos seus filhos, disposta a nos atender com indizível afeto, ternura e carinho.

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1 “Se, pois, vossos méritos são dons de Deus, quando os coroa, Deus coroa seus dons, e não vossos méritos pessoais” (SANTO AGOSTINHO. De Gratia et libero arbítrio. c.VI, n.15: ML 44, 891). 2 Cf. SÃO JOÃO EUDES. The Sacred Heart of Jesus. Fitzwilliam: Loreto Publications, 2004, p.108.

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