Santo Elias, Profeta

 “Verdadeiramente ígnea (incandescente) foi a sua mente, ígnea a sua palavra, ígnea a sua mão, com que converteu Israel”. Com tais palavras, Cornélio a Lápide, grande teólogo, qualifica o Profeta que foi arrebatado ao céu para voltar à Terra no fim do mundo

Ir. Jurandir Bastos, EP


Santo Elias – Basílica do Carmo – São Paulo

Neste mês de julho a Igreja comemora a festa do grande Profeta Elias.

A Ordem do Carmo, a mais antiga comunidade religiosa consagrada de modo especial a Nossa Senhora, teve como berço o Monte Carmelo, e como pai espiritual o Profeta Elias (980 a.C.)

Por isso mesmo, Elias é considerado o primeiro devoto de Nossa Senhora, prestando culto à Mãe do Senhor, simbolizada pela nuvenzinha1, antes mesmo dEla nascer.

Veja abaixo os comentários do Prof. Plinio Correa de Oliveira sobre este personagem histórico, este santo, que ainda há de voltar à terra para cumprir plenamente sua missão.

 

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A origem da Festa Corpus Christi

Em 11 de agosto de 1264, o Papa Urbano IV emitia a bula Transiturus de Hoc Mundo, pela qual determinava a solene celebração da festa de Corpus Christi em toda a Igreja

Pe. Jorge Antonini, EP, Coordenador Geral do Apostolado do Oratório

Que seria a Igreja sem a Eucaristia? Seria um museu dotado de coisas antigas e preciosas, mas sem vida (…) Por isso Jesus Cristo na Eucaristia é o coração da Igreja (D. Antonio Marto, Bispo de Leiria-Fátima)

Diz o pontífice no texto da bula:

Ainda que renovemos todos os dias na Missa a memória da instituição desse Sacramento, estimamos todavia, conveniente que seja celebrada mais solenemente pelo menos uma vez ao ano para confundir particularmente os hereges; pois, na Quinta-feira Santa a Igreja ocupa-se com a reconciliação dos penitentes, a consagração do santo crisma, o lava-pés e muitas outras funções que lhe impedem de voltar-se plenamente à veneração desse mistério.”

A partir desse momento, a devoção eucarística desabrochou com maior vigor entre os fiéis: os hinos e antífonas compostos por São Tomás de Aquino para a ocasião – entre os quais o Lauda Sion, (ver abaixo) verdadeiro compêndio da teologia do Santíssimo Sacramento, chamado por alguns o credo da Eucaristia – passaram a ocupar lugar de destaque dentro do tesouro litúrgico da Igreja.

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Dezoito anos de fidelidade à Santa Sé – parte II

Vínculo de unidade e confiança

Ir. Carmela Werner Ferreira, EP
Membros dos Arautos do Evangelho em Roma nas comemorações da Aprovação Pontifícia, em 2001

Florescem duas Sociedades de Vida Apostólica

Inesgotável em seus dons, o Divino Espírito Santo fez desabrochar no seio desta associação laical vocações para o sacerdócio, inspirando dezenas de seus membros a se consagrarem a esse ministério para o serviço da Igreja. O crescimento da instituição tornou clara a necessidade deste novo ramo: o elevado número de membros e colaboradores não podia receber nenhuma assistência sacramental por parte dos consagrados, formando-se assim uma lacuna de padres animados pelo carisma.

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Dezoito anos de fidelidade à Santa Sé – parte I

A fidelidade à Santa Igreja tornou os Arautos do Evangelho uma
instituição em pleno desenvolvimento no mundo inteiro

Ir. Carmela Werner Ferreira, EP

Membros dos Arautos do Evangelho em Roma nas comemorações da Aprovação Pontifícia, em 2001

Escolhido para proclamar a Boa-Nova entre os gentios, o Apóstolo Paulo foi preparado de maneira direta pela Providência para o cumprimento de uma alta missão.

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Milagre Eucarístico: a Primeira Comunhão de Imelda

Com apenas 8 anos de idade entrou para o convento. Aos 10, recebeu o hábito de monja dominicana. Embora tivesse tão pouca idade, era uma freira em tudo exemplar nas atividades da vida religiosa. Entretanto, algo a intrigava: o fato de as pessoas receberem a Sagrada Comunhão e continuarem a viver

Consagrada a Nossa Senhora no próprio dia do nascimento

Essa angelical menina nasceu no ano de 1322 em Bolonha (Itália). Seu pai, Egano Lambertini, pertencia à alta nobreza e desempenhou cargos importantes como o de governador de Bréscia e o de embaixador na República de Veneza. A par de grande habilidade, prudência e valor militar, distinguiu-se também por sua profunda fé e amor aos pobres. Sua mãe, Castora, da nobre família Galuzzi, rogava com ardorosa fé a Nossa Senhora a graça de ter ao menos um filho.

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O sacerdócio comum dos fiéis

A cada ano que começa, renovam-se os projetos, os planos e as metas. Novos desafios se apresentam a todos, bem como as tarefas de levar adiante nossas obrigações familiares, profissionais, pessoais, etc. Aos nossos caríssimos coordenadores e participantes soma-se a tudo isso, o encargo de administrar e sustentar seus respectivos grupos.

Felizes aqueles que evangelizam com o Imaculado Coração de Maria
Felizes aqueles que dispõe de seu tempo, dedicação e esforços para a evangelização

Nesse post queremos chamar a atenção para uma realidade desse trabalho, tão meritório, mas ainda pouco conhecida: o “sacerdócio comum dos fiéis”.

“Vós sois uma raça escolhida, um sacerdócio régio, uma nação santa” (I Pd 2, 9).

Sacerdócio comum e sacerdócio ministerial

A Cristo pertence o único e eterno sacerdócio, do qual Ele quis tornar partícipes os Apóstolos. Quando eles se espalharam pelo mundo pregando o Evangelho, fundaram igrejas locais e ordenaram presbíteros para atendê-las.

Assim nasceu e se desenvolveu o sacerdócio ministerial, próprio daqueles que recebem o Sacramento da Ordem e, com ele, o múnus de ensinar, governar e santificar os fiéis. Só quem recebeu esse Sacramento no grau de presbítero tem o poder de renovar o Sacrifício do Calvário, de perdoar os pecados e de administrar a Unção dos Enfermos.

O Pão Eucarístico - o alimento de nossas almasTais prerrogativas, o Senhor não as outorgou sequer aos Anjos e, menos ainda, as possuem os fiéis leigos. Assim o ensina o Papa Pio XII, ao acentuar que o sacerdócio comum dos fiéis “difere, não só em grau, mas essencialmente”, do sacerdócio ministerial ou hierárquico.

Essa diferença, entretanto, não implica em disputa ou rivalidade. Pelo contrário, explica o Concílio Vaticano II, os dois sacerdócios “ordenam-se mutuamente um ao outro; pois um e outro participam, a seu modo, do único sacerdócio de Cristo”. Todos somos vítimas e sacerdotes.

Como se exerce, então, esse sacerdócio comum dos fiéis?

Comentando a citada passagem da Epístola de São Paulo aos Romanos, São Pedro Crisólogo explica que “o ser humano não precisa ir buscar fora de si a vítima que deve oferecer a Deus; traz consigo e em si o que irá sacrificar a Deus”. Somos, a imagem de Nosso Senhor, ao mesmo tempo vítimas e sacerdotes

E por isso proclama: “Pela misericórdia de Deus, eu vos exorto, irmãos, a vos oferecerdes em sacrifício vivo, santo”.

“Ó homem”, insiste o Crisólogo, “sê tu sacrifício e sacerdote de Deus; não percas aquilo que te foi dado pelo poder do Senhor. Reveste-te com a túnica da santidade, cinge-te com o cíngulo da castidade; […] eleva continuamente a tua oração como perfume de incenso; empunha a espada do Espírito; faze de teu coração um altar. E assim, com toda confiança, oferece teu corpo como vítima a Deus”.

Esse oferecimento de si próprio, todos somos chamados a fazê-lo. Ninguém pode realizar essa oblação em nosso lugar, nem sequer os ministros consagrados.

“Com prazer faço a vossa vontade”

O primeiro passo dessa entrega consiste em cumprir os Mandamentos, conforme ensina o Autor Sagrado: “Quem observa a Lei faz numerosas oferendas. É um sacrifício salutar guardar os preceitos, e apartar-se de todo pecado. Afastar-se da injustiça é oferecer um sacrifício de propiciação, que consegue o perdão dos pecados” (Eclo 35, 1-3).

Na mesma linha, o Concílio Vaticano II convida a cada batizado exercer seu santo sacerdócio “por meio de todas as obras próprias do cristão, […] na recepção dos Sacramentos, na oração e ação de graças, no testemunho da santidade de vida, na abnegação e na caridade operosa”; todos quantos foram incorporados à Igreja pelo Batismo “ficam obrigados a difundir e defender a Fé por palavras e obras como verdadeiras testemunhas de Cristo”.

Missa dos oratórios na Basílica de Aparecida

Já no âmbito da família, “como numa igreja doméstica, devem os pais, pela palavra e pelo exemplo, ser para os filhos os primeiros arautos da Fé e favorecer a vocação própria de cada um, especialmente a vocação sagrada”.

O melhor meio, portanto, de tornar efetivo na vida cotidiana o sacerdócio comum dos fiéis é seguir o exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo que, já no momento de sua Encarnação, fez ao Pai o ato de entrega de toda a sua existência, conforme as palavras do salmista: “Eis que venho! Sobre Mim está escrito no livro: ‘Com prazer faço a vossa vontade, guardo em meu coração vossa Lei'” (Sl 39, 8-9). Oferecimento confirmado e efetivado ao longo de sua vida terrena, até o momento supremo do “consummatum est” (Jo 19, 30).

Quem se sentir impotente, recorra à ajuda da graça

Não estranhemos sentir falta de forças para seguirmos as pegadas de Nosso Senhor. Ele próprio sentiu a fragilidade da natureza humana a ponto de suplicar no Horto das Oliveiras: “Meu Pai, se é possível, afastai de Mim este cálice!”. Entretanto, acrescentou ato contínuo uma ressalva na qual revela sua disposição de levar ao extremo o holocausto de Si mesmo: “Faça-se, todavia, a vossa vontade, e não a minha” (Mt 26, 39). Enviou-Lhe então o Pai um Anjo do Céu para confortá-Lo (cf. Lc 22, 43).

Portanto, quem se sente impotente por si, recorra à ­ajuda da graça. Peça com ­humildade e confiança, por intermédio d’Aquela que é o Refúgio dos Pecadores. Ela lhe obterá forças para tornar efetiva a resolução de fazer sempre a vontade de Deus em cada ato da vida diária.

Apostolado do Oratório em Ruanda, África

Quem assim fizer o holocausto de sua vida terá uma existência feliz nesta Terra, pois cumpriu com sua missão de batizado, e, sobretudo, quando soar a hora da morte, seu Anjo da Guarda intercederá por ele junto a Nossa Senhora: “Excelsa Rainha e Mãe, por vossa misericórdia, este vosso filho combateu o bom combate, terminou sua carreira, guardou a fé. Pedi agora a Nosso Senhor Jesus Cristo que o receba em sua glória” (cf. II Tim 4, 7-8). (Revista Arautos do Evangelho, Outubro/2015, n. 166, pp. 24-25)

Veja também: Boletim Informativo de janeiro/fevereiro 2018