No mês de junho, novos grupos de Oratório

“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. 
 Donde me vem esta honra de vir a mim a Mãe de meu Senhor?” (Lc, 1, 42-43)

Visita da Imagem Peregrina a uma família em São Francisco do Sul

Com a graça de Nossa Senhora a Cavalaria de Maria, em seu incansável labor missionário, implantou no mês de junho novos grupos do Apostolado do Oratório nas seguintes cidades: Florianópolis/SC, São José/SC, São Francisco do Sul/SC e Lutecia/SP.

Assim, mais de duas mil famílias passaram a receber mensalmente em seus lares a benfazeja visita do Oratório da Santa Mãe de Deus.

Rendamos graças ao Altíssimo por esse inestimável dom.

Seguem algumas fotos das Missões

Lutecia/SP Par. Nossa Senhora da Boa Esperança. Pe. Luis Fernando
Florianópolis/SC Par. Santo Antonio e Santa Maria Goretti. Pe. Jeferson Francisco

 

 

 

 

 

 

São Francisco do Sul/SC Par. Santa Paulina. Pe. João Brolini
São José/SC Par. Santa Cruz. Pe. Dyego Delfino

 

 

 

 

 

 

 

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Veja também: IX Peregrinação Nacional ao Santuário de Aparecida

Deus ama a oração importuna

Dr. Plínio pronunciou uma série de conferencias em 1957 sobre o livro de Santo Afonso Maria de Ligório “A Oração, o grande meio da salvação”. Publicamos neste post alguns trechos de uma delas, dada a grande importância que o tema representa para a vida espiritual de todo católico

Dr. Plínio Corrêa de Oliveira

Para obter que Nosso Senhor nos abra a porta, basta ser importuno. Isso está dito textualmente e comentado por um Doutor da Igreja do porte de Santo Afonso de Ligório.
Devemos considerar, de uma vez por todas que, na oração, não são nossas misérias que entram em linha de conta.

A oração não é um cheque bancário contra Deus

A oração tampouco é um cheque que eu saco do fundo dos meus créditos e compro de Deus um favor. … preciso desfazer tal ideia, pois é um obstáculo para o desenvolvimento da nossa vida espiritual.

Oração é algo diferente. Ainda que eu não tenha nenhuma razão para ser atendido, sê-lo-ei pela minha importunidade. A importunidade do pecador abre as portas do Céu e obtém, afinal, tudo quanto possa desejar. É frisante, nesse sentido, a palavra de Nosso Senhor. São João Crisóstomo, grande Doutor da Igreja, comenta no mesmo sentido:

A oração vale mais junto de Deus do que a amizade*

É uma afirmação que eu não teria coragem de fazer: estabelecer uma distinção entre a oração e a amizade com Deus, para concluir que a primeira vale mais que a segunda. Ora, isso foi dito por São João Crisóstomo, que Santo Afonso por sua vez cita. A oração vale mais diante de Deus do que a amizade. Entre uma pessoa em estado de graça, mas que não reza, e outra que reza mas não está em estado de graça, quem reza alcança mais favor diante de Deus.

Santo Afonso de Ligorio

Outro argumento interessante, invocado por Santo Afonso para justificar a tese de ser a oração do pecador eficaz e grata diante de Deus, é a passagem evangélica em que Nosso Senhor elogia a oração do publicano: “Assim é que se deve rezar!” Qual é o titulo que o publicano apresenta diante de Deus para ser atendido? Não é o “cheque” que os fariseus apresentam: “Agora tu, Deus, que me pões uma barreira, tu tens que me dar um premio, porque eu fiz algo. Aqui está o que eu fiz!”

Na sua oração, pelo contrário, o publicano invoca o título de pecador: “Deus, sede-me propício, a mim que sou pecador”. Ora, tendo alegado esse título de pecador, o Evangelho acrescenta: … este (o publicano) voltou justificado para a sua casa (Lc 18,14). Quando nós alegamos o título de pecador, somos atendidos.

É engano achar que devemos estar num alto grau de virtude para que nossas orações sejam atendidas por Nosso Senhor. É preciso abandonar essa ideia heterodoxa, se quisermos ter verdadeiro espírito católico.

Importunidade, o principal requisito da oração

Ainda São João Crisóstomo, ao comentar São Mateus, diz:

“Não há o que não obtenhas pela oração, ainda que estejas carregado de mil pecados, contanto que a oração seja instante e continua” (Hom. 23 in Matth.).

Note-se bem que São João Crisóstomo é um dos grandes Doutores da Igreja. Sua frase condensa o que acima afirmávamos. “Não há o que não obtenhas pela oração”, diz ele. Ou seja, ele inclui tudo. “Ainda que estejas carregado de mil pecados…”, não de um só pecado.

Para se obter o que se pede, a condição será ter firme propósito ou qualquer outra coisa? Não, não é. “Contanto que a oração seja instante e contínua”, não é necessário mais nada.
É preciso ser importuno. A oração obtém tudo na medida em que é insistente, caso contrário não é boa oração. Mais claro não podia ser. Ou as palavras humanas não têm sentido, ou o sentido é esse.

Quando alegamos o título de pecador, somos atendidos.

Mais adiante é citado um trecho de uma epístola de São Tiago:

Se algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá com abundância e não impropera** (Tg 1, 5).

Sabedoria é juízo, sabedoria é critério, sabedoria é conduzir-se bem, é não ter algum dos defeitos que levam ao pecado. Se alguém precisa disso, peça. Deus dá com abundância a qualquer um que pede. Como Deus é generoso! Como Ele é misericordioso! E como é taxativo! “Se alguém precisar, peça, Eu darei”. Ou Deus não existe, ou Ele é mentiroso, ou isso é verdade. Não há outra alternativa.

Desta forma Santo Afonso demonstra que Deus se incomoda quando não se lhe pede. O que O ofende – contrariamente ao que se dá com os homens – é não ser importuno com Ele.

Sendo importunos não O ofendemos, mas Lhe somos agradáveis. Esta é a realidade.

*Santo Afonso Maria de Ligório, A Oração, o Grande Meio da Salvação, Editora Vozes Ltda, Petrópolis, 1956, 3a.  edição, págs. 90 e 91.
**censura, corrige

Veja também: Rogai por nós, pecadores… Por quê?

Boletim Maria Rainha dos Corações julho/agosto 2018

Na passagem de Maria Santíssima deste mundo para a eternidade vislumbramos desde já o que nos acontecerá no Juízo Final, caso venhamos a morrer em estado de graça

Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP

A Santa Igreja Católica, ao comemorar a Solenidade da Assunção de Maria Santíssima, compõe a Liturgia com um objetivo definido, sintetizado na Oração do Dia:

“Deus eterno e todo-poderoso, que elevastes à glória do Céu em corpo e alma a Imaculada Virgem Maria, Mãe do vosso Filho, dai-nos viver atentos às coisas do alto, a fim de participarmos da sua glória”.1

Nossa condição humana, tão cheia de lutas e de dramas, e ao mesmo tempo de graças, tende a voltar-se para as realidades concretas que nos cercam – saúde, dinheiro, relações, etc. –, esquecendo-se das maravilhas sobrenaturais, quando na verdade sua contemplação é essencial para nos tornarmos partícipes da glória de Nossa Senhora. Sinal da importância de nos atermos em primeiro lugar aos bens do alto é que eles nos serão concedidos por todo o sempre, se nos salvarmos.

A exemplo de Maria

Na passagem de Maria Santíssima deste mundo para a eternidade vislumbramos desde já o que nos acontecerá no Juízo Final, caso venhamos a morrer em estado de graça. Todos nós partiremos desta vida. E quanto tempo mediará entre a morte e a ressurreição? Não importa, pois a ressurreição certifica a onipotência divina. Pela simples lembrança de que morreremos, seremos sepultados e esperaremos até sermos ressuscitados de forma gloriosa, a ponto de adquirirmos um corpo espiritualizado, já antegozamos esse momento de extraordinária beleza em que triunfaremos, como Nossa Senhora no dia da Assunção.

Júbilo na eternidade

Que gáudio incomparável experimentaram todas as almas bem-aventuradas quando Nossa Senhora ali entrou em corpo e alma!

Embora seu Divino Filho já estivesse ressurrecto na companhia dos eleitos, o fato de unir-Se a eles, sendo a mais bela, elevada e santa das puras criaturas, foi um surto de consolação para quantos aguardavam a ressurreição de seus corpos.

(acima: Dormição de Nossa Senhora (Catedral de Notre-Dame, Paris)

A coroação da Santíssima Virgem

Tendo Nossa Senhora completado sua missão, bem podemos imaginar como foi seu triunfo no Céu: as três Pessoas da Santíssima Trindade A receberam e A glorificaram. Coroada pelo Pai, que Lhe conferia o poder impetratório e depositava em suas mãos o governo da criação, Maria Santíssima passou a ser a administradora dos tesouros divinos;
um suspiro d’Ela é capaz de mover a vontade do Criador. O Filho, a Sabedoria Eterna e Encarnada, Lhe deu toda a sabedoria, e o Espírito Santo, enquanto seu Esposo, Lhe concedeu a faculdade de santificar as almas.

Um caminho de luz é aberto a todos

A Assunção de Maria nos abre grandes portas e um caminho florido e cheio de luz, no que diz respeito à salvação eterna. Diante do penhor de nossa ressurreição, que nos é dado pelo mistério da Assunção de Maria Santíssima, deveríamos nos considerar mutuamente uns aos outros segundo esse ideal, como se estivéssemos já ressurrectos, pois acima do abatimento e das provações desta vida brilha a esperança da glorificação para a qual rumamos.

Vivamos buscando os bens do alto, e que nosso pensamento acompanhe o trajeto seguido por Maria Virgem. Voltemo-nos para o trono d’Ela, e assim receberemos graças sobre graças para estarmos sempre postos nesta via que nos conduzirá à ressurreição feliz e eterna, quando recuperaremos os nossos corpos em estado glorioso.

_______________________

1) Solenidade da Assunção de Nossa Senhora. Oração do Dia. In: MISSAL ROMANO (edição brasileira da CNBB). 9.ed. São Paulo: Paulus, 2004, p.638.

 

Veja também neste boletim:

pág. 8

 

 

 

 

 

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Veja mais: IX Peregrinação Nacional ao Santuário de Aparecida

Eis que estou à porta e bato

Visitando trinta lares durante um mês, o Oratório do Imaculado Coração de Maria, divulgado pelos Arautos do Evangelho, tem deixado um rastro de luz e bênção junto a todas as famílias que abrem suas portas à Mãe de Deus

Pe. Aumir Scomparin, EP

“Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e Me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos, Eu com ele e ele comigo” (Ap 3, 20)

Bem podemos aplicar estas palavras do Apocalipse à graça divina, que está sempre batendo à porta de nossa alma, chamando-nos para participarmos do banquete sobrenatural.

E quem melhor do que Aquela que é a Medianeira de todas as graças para ser a Anfitriã desse festim, intercedendo, guiando e conduzindo nossos passos neste vale de lágrimas, rumo ao convívio eterno com seu Filho, no Céu?

É o que Ela tem feito junto às famílias que A recebem em suas casas, por meio do Oratório do Imaculado Coração de Maria, que peregrina pelos lares ajudando, consolando e endireitando a vida dos que abrem suas portas para o banquete da oração junto à Mãe de Deus, deixando atrás de Si um rastro de luz, de bênção e de paz.1

Maria Santíssima, que jamais Se deixa ganhar em generosidade, não só retribui o ato de piedade e apostolado da família coordenadora com graças insignes, premiando a quem dá com liberalidade, como beneficia a todos os que se colocam sob sua proteção materna.

É o que se constata nos testemunhos reproduzidos a seguir, vindos de diversos países, alguns tão distantes como o Congo, o Canadá, a Itália ou a Polônia.

Uma graça especial recebida em Varsóvia

De Varsóvia nos chega o relato de Maria Stachurska, coordenadora desde 2009 de um dos grupos do Oratório na capital da Polônia.

“Somos uma comunidade um tanto particular”, explica ela. “Em primeiro lugar, porque fazemos parte de duas paróquias da diocese, distantes entre si cerca de vinte quilômetros. As primeiras quinze famílias recebem o Oratório na Paróquia de São Salvador e as outras na Paróquia de São Floriano.

Mons. Angelo di Pasquale faz entrega na Igreja de San Bento in Piscinula, Roma, dos três primeiros oratórios que circularam na Polônia

“Entre nós há pessoas de todas as idades e estados: famílias numerosas e pessoas solteiras, casais novos e casais de muitos anos, com filhos e netos. Contamos também com um sacerdote, que recebe a Virgem todo dia 30 do mês. A variedade e a distância fazem com que sejamos realmente como São José em Belém, porque, movendo-nos em peregrinação entre as duas paróquias, alcançamos um número sempre maior de fiéis e cada vez encontramos pessoas novas que vêm ao encontro de Maria e de seu Filho”.

Em tão singular grupo tem-se recebido graças prodigiosas, como a narrada a seguir:

Desde o início do Apostolado do Oratório, nasceram em nossa comunidade oito crianças e vários de nossos anciãos se tornaram avós. Um casal de esposos, contudo, recebeu uma graça especial. Depois do nascimento de seu primogênito, estes jovens não podiam ter outros filhos. Recebendo o Oratório em sua casa, ficaram firmemente convencidos de que a presença da Mãe de Deus os ajudaria. O resultado não se fez esperar. A esposa logo já estava esperando o segundo filho e alguns anos depois nasceram duas gêmeas. Hoje são quatro irmãos: João, Francisco, Úrsula Maria e Helena Maria”.

Continue lendo “Eis que estou à porta e bato”

Meditação para o Primeiro Sábado de Junho – 2015

Meditação para o Primeiro Sábado – Junho/2015
Terceiro Mistério Luminoso

PS

“Jesus dirigiu-se para a Galiléia. Pregava o Evangelho de Deus e dizia: completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho.” (Mc. 1, 14-15)

Vamos dar inicio a meditação reparadora do primeiro sábado, que nos foi indicada por Nossa Senhora, quando apareceu em Fátima no ano de 1917. Pedia Ela que comungássemos, rezássemos um terço, fizéssemos meditação dos mistérios do Rosário e confessássemos em reparação ao seu Sapiencial e Imaculado Coração. Para os que praticassem esta devoção, Ela prometia graças especiais de salvação eterna.

Oração Inicial

Oh! Virgem Santíssima, queremos reparar o Vosso Sapiencial Coração e para isso pedimos especiais graças, por causa de tantas ofensas que recebeis continuamente desta humanidade que se encontra perdida entre tantos pecados e tantos horrores.
Assim sendo, Senhora, é também através desta meditação que poderemos aproximar de nosso fim último, aquele para o qual fomos criados. Para isso, pedimos luzes especais para a nossa inteligência, entusiasmo para nossa vontade, consolação para a nossa sensibilidade, a fim de contemplarmos bem este mistério do Rosário que hoje vamos meditar.
Estejais presente, Senhora, a cada passo de nossas ações. Assim seja!

“Jesus entrou na sinagoga e pôs-se a ensinar. Maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas.”
Ensinava uma doutrina nova dotada de potência, uma doutrina que arrastava.
“Eis um ensinamento novo, e feito com autoridade; além disso, ele manda até nos espíritos imundos e lhe obedecem! ”
Curava todas as doenças de modo radical; nenhum médico, nenhum hospital, nenhum medicamento poderia fazer algo semelhante. Curava, perdoava os pecados, expulsava os demônios, pregando sempre que era preciso se preparem porque o Reino de Deus estava próximo.
Mas o que é propriamente este Reino?
Ele se referia ao Reino da Graça, ao Reino da Igreja Católica, ao Reino da Glória. Quando falamos em Reino de Deus, devemos nos lembrar das palavras de Jesus a Pilatos: “Meu Reino não é deste mundo…”

A Graça nos eleva a filhos de Deus e concidadãos do Céu
A Graça nos eleva a filhos de Deus e concidadãos do Céu

Vamos meditar passo a passo, sobre um desses elementos que constitui o verdadeiro Reino de Deus – a Graça.
O que é a graça? Segundo o Catecismo, é um dom gratuito criado por Deus, infundido na alma do homem e que nos faz participar física e formalmente de Deus.
Temos na natureza humana uma figura de filiação que é a natural, é a por adoção. Uma família tem um filho e o quer entregar aos cuidados de uma outra família. O que fazem?

Ambas famílias vão ao Cartório e a 1ª família passa seus direitos sobre a criança para a 2ª família. Aquela criança que tem seu sangue e sua origem em seus pais, passa juridicamente a pertencer àquela família que a adotou.
Mas com a criança nada acontece, ela continua a ser a mesma, tanto assim, que mais tarde esta criança vai querer conhecer os seus verdadeiros pais, de tal maneira está ligada a eles.
Quando o sacerdote derrama água sobre sua cabeça e diz: eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; o que se passa neste momento?

Não é um registro de documento feito em Cartório; o batizando já não é mera criatura, a partir desse momento passa a ser filho de Deus.
Neste ato passa-se algo na alma da própria criatura que é um verdadeiro milagre – ela passa a participar da natureza divina.
Ela passou a ter a vida de Deus em si; nela são infundidas todas as virtudes, todos os dons; ela passa a participar dos méritos de Jesus Cristo.
Para estar na inteira amizade de Deus, é necessário o batismo que nos liberta das concupiscências nefastas do pecado original.
Os teólogos não encontraram uma metáfora para explicar o que acontece neste momento – mas dá-se, mais ou menos como se todo o sangue da criança fosse retirado por uma das veias, e por outra fosse introduzido o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ela passa a participar da divindade a partir deste momento, tornando-se assim, realmente filha de Deus.
Com isso penetra na alma dela como Pai e como Amigo a Santíssima Trindade – Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Ela passa a ser tabernáculo de Deus.
Ficará ainda mais claro o que é este Reino da Graça na descrição feita por São João, a respeito das maravilhas da Eucaristia, no sermão feito por Nosso Senhor.
Cap. 6, 35 – “Eu sou o pão da vida: aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede. ”
Cap. 6, 51 – “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo”.
Cap. 6, 54 – “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia”.

O Pão Eucarístico - o alimento de nossas almas
O Pão Eucarístico – o alimento de nossas almas

Vemos neste primeiro ponto, que o Reino de Deus e o Reino da Graça, é a graça vivendo em nós; é a graça que começa com o Batismo, que se fortifica com o Crisma. É a graça que se alimenta frequentemente da Eucaristia.
Para isso, Nosso Senhor deixou-se ficar em Corpo, Alma e Divindade, debaixo das espécies eucarísticas, para alimentar este Reino de Deus que existe dentro de cada um .

No entanto este Reino tem um grande adversário: o pecado. Por isso, devo fazer de
tudo para evitar o pecado, a fim de manter vivo no fundo de minha alma este Reino.
É uma loucura o pecado; ele nos traz muitas vezes um prazer fugaz, são trinta
segundos, um minuto, depois o que acontece comigo? Perco o Reino de Deus, deixo de
participar da natureza divina, volto ao meu estado de inimigo, porque quem peca se torna
inimigo de Deus.
Entretanto, Ele é tão misericordioso que nos deixou o confessionário. E depois de uma
confissão bem feita, Ele nos devolve tudo o que tínhamos perdido.

 

“Apostolado do Oratório – Devoção dos Primeiros Sábados”
Sede do Apostolado do Oratório
Rua Francisca Júlia, 182 – CEP 02403-010 – São Paulo/SP
Telefone: (11) 2973-9477
E-mail: admoratorio@arautos.org.br

 

Sexta-feira Santa – Temos parte nos sofrimentos de Jesus?

Santo Cristo dos Milagres

Evangelho: São João 18,1-19,42

Dinamismo incalculável do mal

À medida que as cenas da Paixão se sucedem e se multiplicam as humilhações e ofensas contra Nosso Senhor, uma indignação profunda apodera-se de nós. Vislumbramos uma realidade no Evangelho de São João que nos leva a perguntar se ele não teve a intenção de revelar qual é o dinamismo do mal que chegaria a triunfar sobre a Igreja, se não fosse a promessa do Divino Mestre: “… as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16, 18). Sem a graça de Deus e sua intervenção direta, ninguém teria forças para resistir à sanha do demônio, pois, como diz São Pedro Crisólogo, sua insaciável crueldade “não se conforma com que os homens se tornem indignos, mas faz com que sejam também promotores de vícios e mestres da delinquência”.(1) Aí está o Autor da graça, aquele que é o Salvador, Deus Encarnado! O que o mal faz contra Ele é incalculável. Diante disso compreende-se a reação de Clóvis, rei dos Francos, que ao ouvir de São Remígio a narração da Paixão exclamou encolerizado: “Ah, se eu estivesse lá com os meus francos!”.(2) Clóvis, porém, sem o auxílio da graça, também estaria gritando: “Crucifica-O! Crucifica-O!”. Porque o homem, depois do pecado original, é capaz de todos os crimes, até do maior dos crimes: o deicídio. No entanto, Nosso Senhor Jesus Cristo, com sua morte na Cruz, derrotou o poder das trevas e quebrou-lhe o vigor e a capacidade de difusão.

Talvez sem nos apercebermos, incorremos também nós nessa imensa injustiça todas as vezes que pecamos. Quanto deveríamos ter isto presente no momento em que o demônio nos tenta ou nossas inclinações nos induzem ao mal! No fundo, esbofeteamos Jesus, como o fizeram seus cruéis algozes: o pecado é, em certa medida, uma participação no deicídio. Se todos os homens, desde Adão e Eva até o último, tivessem perseverado, e qualquer um de nós fosse o único a cometer uma só falta, seria o culpado desses tormentos, porque Jesus Se encarnaria e sofreria tudo isso, ainda que apenas por causa deste.

Modelo de castidade, pobreza e obediência

Percorramos alguns episódios de sua terrível Paixão. O que Lhe fazem? Arrancam- -Lhe a roupa. Sendo Nosso Senhor Jesus Cristo o arquétipo de toda a humanidade, seu senso de pudor é o mais excelente possível. Que deve ter sentido Ele em seu interior quando passou por extremo tão horroroso?! Ele permitiu tal humilhação para reparar os pecados de sensualidade. Quantos desvios há por vaidade, por ostentação na indumentária, por extravagância das modas.

Por causa disso, quanta perda do senso moral e do pudor! E nós, como controlamos nossa sensualidade? Esforçamo-nos por evitar as ocasiões próximas de pecado?

Ao ser despojado de suas vestes, Ele, o Rei do universo, ficou sem nada possuir. Só Lhe deixaram um símbolo ultrajante da sua realeza: a coroa de espinhos. Como é nosso apego aos bens terrenos?

Na Paixão, o Salvador também quis ser para nós um modelo de obediência. Apesar da violência exercida contra Ele, submeteu-Se a tudo, sem a mais leve manifestação de inconformidade ou revolta, para reparar nossas desobediências à Lei de Deus e às autoridades legitimamente constituídas.

A Nosso Senhor bem se poderia aplicar a frase do salmista: “Quæ utilitas in sanguine meo? — Qual a utilidade do meu sangue?” (Sl 30, 10). Esta pergunta ecoa não somente na Paixão, mas em nossos dias: que utilidade tem o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo para nós, no século XXI? Que utilidade tem esse Sangue para mim? Esse Sangue preciosíssimo derramado, até se esgotar, por mim!

Pilatos, a típica figura do tíbio

Causa espanto, por exemplo, o procedimento de Pilatos ao ouvir dos lábios de Jesus a seguinte afirmação: “O meu Reino não é deste mundo. […] Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz” (Jo 18, 36-37). O governador, homem mesquinho, medíocre, vulgar e arrivista, rejeitou nessa hora um convite para pertencer a este outro Reino… “O que é a verdade?” (Jo 18, 38), perguntou e, em seguida, retirou-se. É provável que experimentasse no fundo da alma o desejo de conhecer a verdade com clareza, mas percebeu que a resposta de Nosso Senhor o obrigaria a ser inteiramente reto e abandonar os sofismas que criava para cobrir sua falta com estas ou aquelas roupagens espúrias. Pilatos sabia que não podia condenar Nosso Senhor e procurava encontrar uma saída para estar em paz com sua consciência.

A justificação do mal nos levará aos piores pecados

Ele é a imagem perfeita desses que vão elaborando raciocínios cada vez mais confusos para adormecer a própria consciência e decaem até cometer o pecado. Porque o homem é lógico como um monólito e nunca pratica o mal pelo mal, sempre está buscando uma desculpa para justificar seu crime. Quantas vezes nós pecamos, certos de que não deveríamos trilhar esse caminho! Quantas consciências se tornam deformadas, à maneira de um Pilatos, por não querer aceitar a verdade tal como ela é! Mais adiante, aguilhoado pela consciência ao ouvir que Nosso Senhor Se dizia Filho de Deus, Pilatos perguntou-Lhe: “De onde és Tu?” (Jo 19, 9). Contudo, Jesus não lhe responde, porque quando as consciências se tornam relaxadas o Senhor não lhes fala mais. Só no fim Ele  dá uma última chance, recordando-lhe: “Tu não terias autoridade alguma sobre Mim, se ela não te fosse dada do alto. Quem Me entregou a ti, portanto, tem culpa maior” (Jo 19, 11). E São João acrescenta: “Por causa disso, Pilatos procurava soltar Jesus” (Jo 19, 12). Mas… a consciência que não é íntegra é arrastada pela opinião pública má, pelas companhias ruins, pelo demônio, e derrapa até cair no precipício. É o que acontece a Pilatos por sua tibieza: lava as mãos e acaba condenando Jesus sem, todavia, querer assumir a responsabilidade por sua morte. “Sou inocente do Sangue deste Homem. Isto é lá convosco” (Mt 27, 24). Esta atitude inconsequente, até o fim do mundo será lembrada no Credo: “padeceu sob Pôncio Pilatos”.

Incoerente ao extremo, a energia que não teve para enfrentar o Sinédrio e salvar a vida de Nosso Senhor que estava em suas mãos — apesar de ser advertido pela esposa (cf. Mt 27, 19), pela voz da graça e até pela própria presença de Jesus —, ele a teve quando os judeus protestaram por causa dos dizeres postos na Cruz: “Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus” (Jo 19, 19). Nesse aspecto minúsculo e secundário ele é de uma firmeza pétrea e faz prevalecer sua autoridade. E nós, somos exigentes com relação às pequenas coisas e displicentes com as graves e importantes?

O dia adequado para um bom exame de consciência

Assim, nós poderíamos percorrer todos os episódios desse relato sublime da Paixão e deles extrair mais conclusões para um exame de consciência… num artigo que nunca acabaria. Fiquemos com o que foi comentado até aqui e aproveitemos para pedir com ardor a graça de reparar tudo isso pelas nossas boas obras e, sobretudo, pelo horror ao pecado. Não é este o momento de, recordando a Paixão e Morte de Nosso Senhor, fazermos um propósito sério de emenda de vida, deixando todos os caprichos, todos os desvios, para transformar nossa existência em um ato de reparação a tudo o que Jesus sofreu? Tenhamos um verdadeiro arrependimento de nossas faltas, todo feito de espírito sobrenatural, a ponto de pedir de coração sincero a santidade, que não é tanto o fruto de nosso esforço, e sim da graça de Deus. E nós devemos implorá-la empenhadamente, pois, o Salvador no-la conquistou neste dia, no alto do Calvário. “Com a árvore da Cruz, foram-te devolvidos bens maiores do que aqueles que lamentavas ter perdido com a árvore do Paraíso”.5 Que eu me ofereça inteiro para abraçar uma vida de virtude, de pureza, de humildade, de obediência, em uma palavra, de santidade, e possa fazer companhia à Mãe de Jesus, ao pé da Cruz.

(Excerto do livro “O inédito sobre os Evangelhos” Vol VII, de Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP – Comentário ao Evangelho da Quinta-feira Santa – Ceia do Senhor.)

 NOTAS:

1) SÃO PEDRO CRISÓLOGO. Homilía II: Sobre el padre y sus dos hijos, hom.II, n.5. In: Homilías Escogidas. Madrid: Ciudad Nueva, 1998, p.50.
2) FRÉDÉGAIRE, III, 21, apud KURTH, Godefroid. Clovis. Paris: Jules Taillandier, 1978, p.297.

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Veja também: Quinta-feira Santa – Nunca devemos rejeitar uma graça