A fé e a verdadeira paz

II Domingo da Páscoa

É para nosso benefício que os Apóstolos viram Jesus ressurrecto, creram na Ressurreição e dela deram testemunho: para que nós, acreditando, tenhamos a vida eterna

Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias, EP. Fundador dos Arautos do Evangelho

“Estando fechadas as portas”

19 Chegada a tarde daquele mesmo dia,
que era o primeiro da semana, e estando
fechadas as portas da casa onde os discípulos
se encontravam juntos, por medo dos judeus,
foi Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes:
“A paz esteja convosco!”

Devido a motivos vários, a redação dos Evangelhos, embora de uma precisão insuperável, é sintética. Por um sábio sopro do Espírito Santo, seus autores escolhem não só os termos ideais, como também os aspectos essenciais e mais importantes dos episódios narrados para transmitir aos fiéis a mensagem inspirada. Vemos, por exemplo, como é expressiva esta sucinta afirmação: “Estando fechadas as portas”.

Medo e insegurança dos Apóstolos

Muitos são os comentaristas que ressaltam esse particular. Beda mostra que o motivo da dispersão dos Apóstolos, por ocasião da Paixão — o temor dos judeus —, é o mesmo que os mantém depois reunidos e com as portas fechadas. Segundo Crisóstomo, o medo entre eles deveria ter aumentado de intensidade, ao cair da tarde.

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A necessidade da contínua conversão

III Domingo da Quaresma

Deus é Paciência e usa de longanimidade para conosco, dando-nos tempo mais do que suficiente para nos convertermos. Mas, sendo também Sabedoria e Justiça, sabe como e quando castigar

Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias, EP

Cristo e os Apóstolos – Museu Episcopal de Arte Religiosa – Cuzco – Peru

Deus quer dar-nos a vida eterna

Deus é sumamente comunicativo e “não cessa de chamar todo homem a procurá-Lo para que viva e encontre a felicidade”. Deseja entrar em contato conosco e tem por nós um amor gratuito, incomensurável e incondicional, que perdoa as infidelidades até o extremo de Nosso Senhor afirmar haver mais alegria no Céu pela conversão de um pecador do que pela perseverança de noventa e nove justos (cf. Lc 15, 7).

“Não quero a morte do pecador, mas que ele se converta e tenha a vida” (Ez 33, 11), diz a Sagrada Escritura. Esse pensamento expresso através da Revelação deve nos encher de confiança, qualquer que seja nossa situação espiritual.

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Fátima, Primeiro Sábado e a devoção do Rosário

Três devoções intimamente ligadas à concessão das graças de salvação para todos nós

Ir. Carlos Eduardo, EPDevoção dos Primeiros Sábados

Em 1917, em Fátima, a Santíssima Virgem transmitiu ao mundo sua Mensagem. Nela se destaca o pedido de conversão sincera e mudança de vida, junto com a prática de devoção dos Primeiros Sábados. Disse a Virgem Santíssima à Irmã Lucia:

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Meditação do Primeiro Sábado de setembro 2018

IV Mistério Doloroso
Nosso Senhor carrega a Cruz às costas
Justos e pecadores carregam sua respectiva cruz

Introdução

No cumprimento de nossa devoção do Primeiro Sábado, tendo em vista a Festa da Exaltação da Santa Cruz celebrada no dia 14 de setembro, meditaremos o 4º Mistério Doloroso: Nosso Senhor carrega sua Cruz até o Calvário.

Jesus não recusa a cruz, abraça-a até com amor, sendo ela o altar destinado para que Ele consuma o sacrifício de sua vida pela salvação dos homens. A partir de então, essa mesma cruz passou a ser o símbolo da sua vitória sobre a morte e o pecado, o sinal de glória de todos aqueles que seguem o Cordeiro de Deus ao longo da história humana.

Jesus carregando a Cruz. Igreja Cristo dos Milagres de Lima, Perú

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Oração Preparatória

Ó Virgem Santíssima de Fátima, nossa Mãe e Corredentora que acompanhastes com indizível desvelo materno a via dolorosa de vosso Divino Filho rumo ao Calvário, alcançai-nos as graças necessárias para bem realizarmos essa meditação e dela colhermos todos os frutos para a nossa santificação, compreendendo o precioso valor do instrumento de sacrifício de Jesus, símbolo de glória e vida eterna para todos nós.

Amém

Clique acima e baixe o texto da Meditação

“Tudo lhe ofereço Senhor”. Foi este o lema de sua vida

A exemplo do Sol da sua vida, que foi a Eucaristia, ela foi uma vítima imolada por Ele, como uma leiga comprometida com a Igreja, primeiro, e como uma religiosa de clausura depois. “Eu me ofereci como uma pequena vítima pelos sacerdotes “, disse ela uma vez

Pe. Rafael Ramón Ibarguren Schindler*, EP

Maria Felicia de Jesus Sacramentado: assim se chamava seu nome de religião da jovem Carmelita Descalça beatificada em Assunção, Paraguai, em 23 de junho, cujo encontro final com o Senhor se deu nos seus jovens 34 anos de idade, em 28 de abril de 1959. Em seu país natal, todos a chamam “Chiquitunga”; como ela foi apelidada por sua família e em seus círculos sociais.

Sua espiritualidade, simples e penetrante, vai direto ao essencial sem grandes desvios, e está de consonância com os voos místicos das três grandes Teresas: a Santa Madre Teresa de Jesus, Santa Teresa do Menino Jesus e Santa Teresa dos Andes. Maria Felicia de Jesus Sacramentado, continua o caminho aberto por elas, especialmente pela de Ávila, a grande reformadora do Carmelo.

Santa Teresa de Ávila na gloria. (Novelli)

Como as três, a nova Beata também deixou escritos de profundo sentimento cristão e Carmelita. “Tenho sede de uma entrega total”, escreveu ela. Quanta coisa está dita nesta frase tão curta! Este é um ideal de vida, o mais sublime que possa imaginar.

No blog “Amigos de Carmelo Teresiano” se colhe uma declaração muito bonita sobre ela: “sua vida foi uma missa, na escuta da Palavra, no ofertório, como consagração e como comunhão “. Sobre sua a morte, escreveram: “Se não fosse por este Pão, este Pão da Vida, Eu não sei o que eu teria sido “. Jesus Sacramentado, de quem ela tomou o nome, foi sua força, junto com Maria, a quem foi consagrada como escrava de amor.

Chiquitunga escreveu uma curta história de vida que foi publicada pelas Carmelitas Descalças do Paraguai sob o título “Diário Intimo”. Também conhecemos alguns poemas de simplicidade encantadora e densidade teológica, bem como 61 cartas escritas de sua própria mão.

Em seus escritos, palpita um amor apaixonado de uma combatente. Ela não concebeu o existência vivida na mediocridade. Na verdade, para qualquer batizado se pede integridade e não meias medidas; mas ela foi uma das poucas a alcançar essa coerência consumada, renunciando ao amor humano e promessas de bem-estar pessoal e prestígio social, que tantas vezes o mundo nos apresenta, enganosamente, como uma alternativa.

Fotos: www.irmascarmelitas.com.br

 Não é o caso de retratar nessas linhas uma vida inteira que, embora curta, era fecunda. Apenas deixo transcrito aqui alguns versos que mostram seu perfil eucarístico. São sem rimas e sem pretensão, mas muito profundos. Não são para nenhuma erudição acadêmica ou literária; são versos de uma criança ou um menina … daqueles que entram – e só eles – no Reino dos Céus.

“ A hostia elevada, com uma transparência limpa, com um brilho divino irradia no altar; Eu quero que minha vida, trocada as substâncias, qual hostia consagrada, deixe atrás de si um caminho de intensa claridade. “

“ Eu quero que em sacrifício, como uma vítima imolada, minha vida se consuma em santa claridade! Senhor, pela hóstia pura, o Pão da Vida Eterna e o Cálice do Sangue da nossa Redenção, conceda àqueles unidos assim nós vos imploramos. Perdão dos nossos pecados e salvação eterna. Meu senhor e Deus meu! “ 

Se pode dizer algo mais transcendente com tanta precisão e ingenuidade? Estamos diante de um modesto, porém verdadeiro tratado sobre teologia eucaristia, acessível a todos, de quem está recebendo a catequese para Primeira Comunhão ou do teólogo familiarizado com a ciência divina.  “Tudo lhe ofereço Senhor”, foi o lema que ela imprimiu em seus escritos como uma fórmula química “T2OS” (T ao quadrado OS). Neste sinal se resumiu a radicalidade de seu ideal.

A palavra “Tudo” não admite relativizações; Tudo é tudo e ponto final! Entretanto, o “Tudo ao quadrado” é uma excelência que pode significar por si, a totalidade. É como dizer: absolutamente tudo, de agora em diante, sem apelo e para sempre.

Então segue a noção de “oferta”, uma palavra que significa sacrifício, holocausto, imolação, destruição… Eucaristia. Como o incenso que se queima ao ser derramado em brasas, ou como a cera que se derrete ao calor do fogo; é assim que ela queria ser e assim ela foi.

E, finalmente, a razão de ser de uma oferta tão generosa: “O Senhor”.

Que a ardente beata interceda pela comunidade carmelita de Assunção com quem ela compartilhou os últimos anos de sua vida e por todas as carmelitas descalças do mundo, suas irmãs de hábito; para a Igreja do Paraguai e por seu país natal que ela tanto amava. Finalmente, por todos os cristãos do orbe, que se esforçam para cumprir os propósitos batismais entre os quais, este, tão primordial: adorar a Jesus no Santíssimo Sacramento do altar.

Assunção, julho de 2018

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*Conselheiro de Honra da Federação Mundial das Obras Eucarísticas e da Igreja.

A Eucaristia, eixo da piedade católica

No blog dos Arautos do Evangelho da Colômbia* encontrei um escrito maravilhoso sobre o Santíssimo Sacramento e quero compartilhar aqui com todos

Pe. Rafael Ramón Ibarguren Schindler**, EP

O texto reproduz trechos de uma conferência de um declarado adorador, o Professor Plínio Corrêa de Oliveira. Já que a matéria apresenta um grande interesse, reproduzo trechos significativos.

1. No início, estão referidos os três aspectos do mistério eucarístico: sacrifício, presença e alimento: “A Missa é a renovação incruenta do Santo Sacrifício do Calvário, no qual Nosso Senhor Jesus Cristo ofereceu-se como vítima expiatória por todos os homens; Ele, o Homem Deus, Inocente, em sua natureza humana passou pelo castigo que Adão nos mereceu, e resgatou a todos os homens.

No momento em que o sacerdote pronuncia as palavras da Consagração, a hóstia é consagrada, transubstanciando-se no Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Da renovação deste sacrifício do Divino Redentor resulta um dom inestimável: sua visita às nossas almas”.

2. Em seguida, o documento prossegue com esta ideia tão consoladora: Ver ao Senhor em pessoa, tocar a orla do seu manto e ouvir sua voz… é menos que comungar: Se Ele estivesse sensivelmente presente – está realmente presente -, e eu pudesse ver, por exemplo, um pequeno movimento de sua mão divina, e observar seu pulso, considerando que ali pulsa o Sagrado Coração de Jesus, dado que a pulsação do Coração é refletida nessas veias! Dessas pulsações divinas vive tudo o que tem vida na ordem espiritual das coisas. Que respeito!

Se eu conseguisse, também, tocar a borda de seu manto como aquela mulher que se curou ao tocá-lo! E se pudesse com esse ato alcançar, em um momento, o grau de santidade que eu gostaria de obter, não seria natural que me alegrasse completamente?

Recordo as palavras de um salmo, que me parecem uma beleza: “…se regozijarão meus ossos humilhados”. Um indivíduo está reduzido a ossos, a uma caveira; pode estar em uma situação mais baixa? Mas Nosso Senhor diz uma palavra e a caveira se refaz, ressuscita de júbilo!

As palavras dEle são palavras da vida eterna. Ouvir uma palavra de Jesus! Ele está na Hóstia; eu não vejo, mas creio.

Quando chega a hora de comungar, Nosso Senhor estará realmente em mim. Será que Ele não vai me dizer nada? Sim, no interior de nossas almas, Ele dirá:

– Meu filho, quando dois estão juntos, um sente ao outro. Será que quando Eu estou em ti não sentes nada? Ouça a linguagem silenciosa da minha presença, que não te fala aos ouvidos.

Às vezes o silêncio diz de uma pessoa o que não chega a expressar a fisionomia, as maneiras, ou o modo de ser ou a palavra. “Meu filho, tu sabes isso? Preste atenção em mim! Eu estou em você e a graça fala com você. Você não sente nada?”.

Assim é o inefável da Sagrada Eucaristia que a alma católica sente. Posso dizer que sinto algo que comunica luz, amor, força e permanece em nossa alma, embora para muitos lhes pareça ser passageiro.

Graças à Sagrada Comunhão, a inteligência se torna mais perspicaz para os assuntos da Fé; enquanto o amor se abre mais a todas as virtudes; em relação à fortaleza, fica mais disposta a fazer todos os sacrifícios e a vontade de lutar se multiplica por si mesma.

3. Em seguida, segue uma explicação de como a Missa repercute no céu. “Essa é uma hora de grande solenidade, para a qual devemos colocar a alma em uma posição de veneração, de gravidade e de seriedade.

A medida em que se aproxima a hora da Consagração, eu não posso deixar de pensar no que deve estar se passando de tão solene, festivo, vitorioso e grandioso no Céu nesse momento. Que alegria e que glória para Deus! Ainda que o Céu e a Terra tivessem sido criados para que houvesse apenas uma só Missa, tudo estava justificado.

Missa Solene na Basílica de Nossa Senhora do Rosário dos Arautos do Evangelho

Ao começar uma Missa, não estarão os anjos -para empregar uma linguagem antropomórfica- preparando-se solenemente? Imagino que nesse momento o Céu deva estar como um tribunal quando se vai realizar um ato mais sério e mais augusto que a coroação de um rei.

Pouco depois o tintinar dos sinos, termina a Consagração e o Céu reluzirá de glória”.

4. A Santa Missa não só ecoa no céu; causa terror ao demônio e repercute no inferno: “Estas considerações ficariam incompletas se eu não agregasse o seguinte: Ainda que de certo modo toda a criação tenha sido considerada sumariamente, falta algo: o inferno. Quando se aproxima a Consagração, eu imagino que o inferno fica aterrorizado, deve rugir de ódio e gostaria de fazer explodir o mundo para evitar a celebração de uma Missa. Ele sabe a derrota renovada que sofrerá”.

Estas ideias, que são parte da Fé e que se expressam em piedosas meditações, nos falam do caráter militante da celebração eucarística: mistério celebrado na terra que repercute não apenas no céu, mas também -e quanto!- nos infernos.

Assunção, junho de 2018

Por Padre Rafael Ibarguren EP

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*http://caballerosdelavirgen.org/espiritualidad/la-eucaristia-eje-de-la-piedad-catolica#

**Conselheiro de Honra da Federação Mundial das Obras Eucarísticas e da Igreja.

Veja também: Vinte e quatro horas eucarísticas