Adorar… Como e para quê?

Por vezes, alguns fiéis ficam desmotivados para decidir-se a ser adoradores. Dispõem de tempo para aproximar-se da Eucaristia, mas não dão o passo; um passo que poderá ser ocasional, muito de vez em quando, ou que importe em um compromisso formal de passar, cada dia ou cada semana, um tempo junto ao sacrário ou a custódia onde está presente o Senhor na Hóstia consagrada

Pe. Rafael Ramón Ibarguren Schindler*

Quais são os motivos dessa desmotivação? Na maioria dos casos, parecem ser duas as razões ou objeções que se esgrimam, seja conscientemente como de forma apenas implícita. Uma é: Para que adorar? Qual é a utilidade de dar esse tempo à adoração, tempo que poderia ser utilizado em outras coisas boas, úteis e até necessárias?

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Belos textos sobre a Eucaristia

Já há algum tempo o revmo. pe. Rafael Ibarguren, EP, tem contribuído com este blog com admiráveis artigos sobre a Eucaristia, nos quais se notam não somente o conhecimento doutrinário do tema mas, sobretudo, depreende de sua pena o inconfundível timbre de uma alma tocada pelo Senhor com graças místicas de fervor eucarístico

 O Apostolado do Oratório vem por estas linhas manifestar sua gratidão ao revmo. pe. Rafael por tal contribuição, que tanto bem tem feito a nossos leitores com a apreciação do conteúdo de seus artigos.

A repercussão de seus posts chegou também a algumas paróquias, onde grupos de coordenadores tiveram a excelente ideia de realizar uma vez por mês um encontro de confraternização, tendo como fundo a leitura e estudo de seus textos. Após esta leitura, também rezariam um terço em conjunto ou, sendo possível, fariam uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento como preparação à Santa Missa.

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O céu, “uma comunhão sem fim”

A Eucaristia é o céu na terra. E ainda, com mais propriedade, que “A Eucaristia é verdadeiramente um resquício do céu que se abre sobre a terra” A Santa Hóstia é uma brecha, uma janela, que nos mostra e nos faz degustar o céu!

Pe. Rafael Ramón Ibarguren Schindler*, EP

Bem sabemos que coisas sucederão ao homem ao final de sua vida na terra: a morte, o juízo e um destino eterno; estas etapas ou pórticos são chamados novíssimos. O destino eterno poderá ser o céu ou o inferno.

Quão saudável é pensar nestas tremendas e inevitáveis realidades! Diz o Eclesiástico “Pensa nos novíssimos e não pecarás eternamente”, ou seja, não te condenarás. Outra tradução do mesmo versículo da Bíblia assim reza: “Em todas tuas ações têm presente teu fim, e jamais cometerás pecado”. São noções afins e complementárias.

Pois sim, a meditação no céu deveria ocupar um espaço considerável em nossa mente e em nosso coração.

Ainda que o homem tenha sede de infinito e aspira à bem-aventurança, é verdade que está mais ao nosso alcance, nos é mais fácil, o temor do inferno que o desejo do céu. Nossa natureza tem horror ao sofrimento; mas no paraíso terreno, antes do pecado original, não éramos assim. Na realidade, tanto no plano inicial quanto no de herdeiros da culpa de Adão, está sempre vigente o desejar, tender e alcançar a meta para a qual fomos criados: a companhia e a visão eterna do Criador.

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Milagre Eucarístico: a Primeira Comunhão de Imelda

Com apenas 8 anos de idade entrou para o convento. Aos 10, recebeu o hábito de monja dominicana. Embora tivesse tão pouca idade, era uma freira em tudo exemplar nas atividades da vida religiosa. Entretanto, algo a intrigava: o fato de as pessoas receberem a Sagrada Comunhão e continuarem a viver

Consagrada a Nossa Senhora no próprio dia do nascimento

Essa angelical menina nasceu no ano de 1322 em Bolonha (Itália). Seu pai, Egano Lambertini, pertencia à alta nobreza e desempenhou cargos importantes como o de governador de Bréscia e o de embaixador na República de Veneza. A par de grande habilidade, prudência e valor militar, distinguiu-se também por sua profunda fé e amor aos pobres. Sua mãe, Castora, da nobre família Galuzzi, rogava com ardorosa fé a Nossa Senhora a graça de ter ao menos um filho.

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A Eucaristia, eixo da piedade católica

No blog dos Arautos do Evangelho da Colômbia* encontrei um escrito maravilhoso sobre o Santíssimo Sacramento e quero compartilhar aqui com todos

Pe. Rafael Ramón Ibarguren Schindler**, EP

O texto reproduz trechos de uma conferência de um declarado adorador, o Professor Plínio Corrêa de Oliveira. Já que a matéria apresenta um grande interesse, reproduzo trechos significativos.

1. No início, estão referidos os três aspectos do mistério eucarístico: sacrifício, presença e alimento: “A Missa é a renovação incruenta do Santo Sacrifício do Calvário, no qual Nosso Senhor Jesus Cristo ofereceu-se como vítima expiatória por todos os homens; Ele, o Homem Deus, Inocente, em sua natureza humana passou pelo castigo que Adão nos mereceu, e resgatou a todos os homens.

No momento em que o sacerdote pronuncia as palavras da Consagração, a hóstia é consagrada, transubstanciando-se no Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Da renovação deste sacrifício do Divino Redentor resulta um dom inestimável: sua visita às nossas almas”.

2. Em seguida, o documento prossegue com esta ideia tão consoladora: Ver ao Senhor em pessoa, tocar a orla do seu manto e ouvir sua voz… é menos que comungar: Se Ele estivesse sensivelmente presente – está realmente presente -, e eu pudesse ver, por exemplo, um pequeno movimento de sua mão divina, e observar seu pulso, considerando que ali pulsa o Sagrado Coração de Jesus, dado que a pulsação do Coração é refletida nessas veias! Dessas pulsações divinas vive tudo o que tem vida na ordem espiritual das coisas. Que respeito!

Se eu conseguisse, também, tocar a borda de seu manto como aquela mulher que se curou ao tocá-lo! E se pudesse com esse ato alcançar, em um momento, o grau de santidade que eu gostaria de obter, não seria natural que me alegrasse completamente?

Recordo as palavras de um salmo, que me parecem uma beleza: “…se regozijarão meus ossos humilhados”. Um indivíduo está reduzido a ossos, a uma caveira; pode estar em uma situação mais baixa? Mas Nosso Senhor diz uma palavra e a caveira se refaz, ressuscita de júbilo!

As palavras dEle são palavras da vida eterna. Ouvir uma palavra de Jesus! Ele está na Hóstia; eu não vejo, mas creio.

Quando chega a hora de comungar, Nosso Senhor estará realmente em mim. Será que Ele não vai me dizer nada? Sim, no interior de nossas almas, Ele dirá:

– Meu filho, quando dois estão juntos, um sente ao outro. Será que quando Eu estou em ti não sentes nada? Ouça a linguagem silenciosa da minha presença, que não te fala aos ouvidos.

Às vezes o silêncio diz de uma pessoa o que não chega a expressar a fisionomia, as maneiras, ou o modo de ser ou a palavra. “Meu filho, tu sabes isso? Preste atenção em mim! Eu estou em você e a graça fala com você. Você não sente nada?”.

Assim é o inefável da Sagrada Eucaristia que a alma católica sente. Posso dizer que sinto algo que comunica luz, amor, força e permanece em nossa alma, embora para muitos lhes pareça ser passageiro.

Graças à Sagrada Comunhão, a inteligência se torna mais perspicaz para os assuntos da Fé; enquanto o amor se abre mais a todas as virtudes; em relação à fortaleza, fica mais disposta a fazer todos os sacrifícios e a vontade de lutar se multiplica por si mesma.

3. Em seguida, segue uma explicação de como a Missa repercute no céu. “Essa é uma hora de grande solenidade, para a qual devemos colocar a alma em uma posição de veneração, de gravidade e de seriedade.

A medida em que se aproxima a hora da Consagração, eu não posso deixar de pensar no que deve estar se passando de tão solene, festivo, vitorioso e grandioso no Céu nesse momento. Que alegria e que glória para Deus! Ainda que o Céu e a Terra tivessem sido criados para que houvesse apenas uma só Missa, tudo estava justificado.

Missa Solene na Basílica de Nossa Senhora do Rosário dos Arautos do Evangelho

Ao começar uma Missa, não estarão os anjos -para empregar uma linguagem antropomórfica- preparando-se solenemente? Imagino que nesse momento o Céu deva estar como um tribunal quando se vai realizar um ato mais sério e mais augusto que a coroação de um rei.

Pouco depois o tintinar dos sinos, termina a Consagração e o Céu reluzirá de glória”.

4. A Santa Missa não só ecoa no céu; causa terror ao demônio e repercute no inferno: “Estas considerações ficariam incompletas se eu não agregasse o seguinte: Ainda que de certo modo toda a criação tenha sido considerada sumariamente, falta algo: o inferno. Quando se aproxima a Consagração, eu imagino que o inferno fica aterrorizado, deve rugir de ódio e gostaria de fazer explodir o mundo para evitar a celebração de uma Missa. Ele sabe a derrota renovada que sofrerá”.

Estas ideias, que são parte da Fé e que se expressam em piedosas meditações, nos falam do caráter militante da celebração eucarística: mistério celebrado na terra que repercute não apenas no céu, mas também -e quanto!- nos infernos.

Assunção, junho de 2018

Por Padre Rafael Ibarguren EP

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*http://caballerosdelavirgen.org/espiritualidad/la-eucaristia-eje-de-la-piedad-catolica#

**Conselheiro de Honra da Federação Mundial das Obras Eucarísticas e da Igreja.

Veja também: Vinte e quatro horas eucarísticas