Cristo nos ensina a perdoar

Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP
Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP

O Evangelho nos convida à imitação de Cristo: devemos ser bons como Ele é bom, compassivos como Ele é compassivo, clementes como Ele é clemente. “Aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 29).

Para melhor compreender o alcance destas palavras, devemos ter bem presente o quanto o ódio, o desejo de vingança e a incapacidade de perdoar grassavam nas civilizações anteriores à vinda de Jesus.

O conceito de justiça vigente no Oriente bíblico fundava-se na Lei de Talião, segundo a qual o criminoso devia ser punido com rigorosa reciprocidade em relação ao dano infligido: “Olho por olho, dente por dente” — tal o crime, tal a pena. Vigendo o costume de fazer justiça pelas próprias mãos, prevalecia sempre o mais forte e o perdão era visto como sinal de fraqueza.

Nosso Senhor veio substituir a pena de talião por uma nova forma de trato: amar o próximo como a si mesmo, por amor a Deus. Para justificar a disposição de perdoar sempre, esse Mestre rigoroso no combate ao pecado nos pede um arrependimento sincero de nossas faltas.

Diante de um filho que pede perdão Deus manifesta a sua bondade sem limites e nos trata com uma misericórdia infinitamente maior do que ousaríamos esperar. Para fazê-lo, põe-nos apenas uma condição: “um coração contrito e humilhado” (Sl 50, 19).

O amor-próprio ferido leva ao desejo de vingança

Entretanto, mesmo tendo sido tantas vezes objeto da misericórdia divina, não é raro ficarmos com o amor-próprio ferido quando alguém nos faz uma ofensa, e, irritados, acalentamos o desejo de revidar.

Com frequência as pessoas perdoam formalmente, “da boca para fora”, mas guardam a mágoa e o rancor na alma e, com eles, o anseio de uma revanche. “Donde vêm as lutas e as contendas entre vós? Não vêm elas de vossas paixões, que combatem em vossos membros?” (Tg 4, 1), pergunta o Apóstolo São Tiago.

Como a tendência exacerbada ao amor-próprio é consequência do pecado original, terá o homem sempre esse combate diante de si, cabendo-lhe recorrer à graça divina para vencer essa má inclinação.

Deus é clemente, mas também justo

Entretanto, o Divino Mestre não veio pregar a impunidade nem o laxismo moral. Deus é clemente, mas também justo. E, em face de benefícios gratuitos de tal monta, devemos ter presente que em certo momento teremos que prestar contas ao Benfeitor. Porque, como ensina Santo Afonso de Ligório, “a misericórdia foi prometida a quem teme a Deus e não a quem dela abusa […] se Deus espera com paciência, não espera sempre”.1

A justiça e o perdão devem andar juntos. Justiça não é vingança cega, mas reparação da ordem moral violada. Essa é a regra que Nosso Senhor veio estabelecer entre os homens.

A falta de reciprocidade afasta o perdão de Deus

Nosso Senhor é muito claro ao sublinhar a necessidade de perdoar “de todo coração” (Mt 18, 35) ao próximo, e não apenas formalmente. É preciso, portanto, eliminar do nosso espírito a amargura pela ofensa recebida, fruto do amor-próprio.

“Guardando rancor — afirma o Crisóstomo — cravamos em nós mesmos a espada. Porque, o que é aquilo que pode ter feito teu ofensor, comparado com o que fazes a ti mesmo quando te enches de ira e atrais contra ti a sentença condenatória de Deus?”.2

Com efeito, Cristo deixa claro que, se guardarmos no coração ressentimentos contra nosso irmão, estaremos pecando contra Deus. Pelo contrário, se suportarmos as afrontas do próximo, isso atrairá sobre nós a misericórdia divina.

Para a caridade, para o amor ao próximo, para o perdão não pode haver limite. Dessa atitude deu-nos belo exemplo José, o filho de Jacó, ao beneficiar de todas as maneiras possíveis seus irmãos, que o tinham vendido como escravo a mercadores. Ou ainda aquele pai da parábola, quando correu ao encontro do filho pródigo, abraçou- -o e o cobriu de beijos (cf. Lc 15, 20).

Notas

1) SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO. Preparação para a morte – Considerações sobre as Verdades Eternas. XVII – Abuso da Misericórdia Divina, c,I.
2) SÃO JOÃO CRISÓSTOMO. Homilia 61 sobre o Evangelho de São Mateus. c.5.

(Fonte: Transcrito do Boletim Informativo “Maria, Rainha dos Corações” do Apostolado do Oratório dos Arautos do Evangelho, nº 61-setembro/outubro de 2012.)

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Veja também: Amor a Deus: O maior de todos os Mandamentos

Retiro Espiritual

 Um abençoado retiro

Em meados de Novembro do ano passado o Apostolado do Oratório promoveu um Retiro Espiritual para as famílias participantes do seu Curso de Teologia. O retiro, pregado pelo sacerdote Arauto Padre Ricardo Basso, teve lugar na abençoada e acolhedora casa dos Salesianos na cidade de Campos do Jordão.

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Outros dois sacerdotes arautos estiveram à disposição dos retirantes para atendimento de confissões e aconselhamento.

Durante três dias os participantes puderam “desligar-se” da agitação das grandes cidades e beneficiar-se da Santa Missa, da adoração ao Santíssimo Sacramento e de um ambiente de calma e serenidade, propício ao recolhimento e à reflexão.

 

Rezando o Terço

 

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Almoço

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Adoração ao Santíssimo Sacramento

 

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Santa Missa

 

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Meditação

 

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Jantar

 

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Terço Processional

 

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Névoa caracteristica de Campos do Jordão 

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Almoço de despedida

 

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Encerramento do Retiro

 

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Meditação para o Primeiro Sábado de julho

(Preparação do texto para a meditação: J. B. Gioffi)

Vamos dar inicio a meditação reparadora do primeiro sábado, que nos foi indicada por Nossa Senhora, quando apareceu em Fátima no ano de 1917. Pedia Ela que comungássemos, rezássemos um terço, fizéssemos meditação dos mistérios do Rosário e confessássemos em reparação ao seu Sapiencial e Imaculado Coração. Para os que praticassem esta devoção, Ela prometia graças especiais de salvação eterna. A meditação visa contemplar um dos mistérios do Rosário, fazendo com que o Coração Imaculado de Maria se sinta aliviado, se sinta reparado de tantos pecados de tantos horrores, de tantas imoralidades, tantos delírios que se cometem nos dias de hoje. Ou seja, é importante que além da confissão, da comunhão, além do terço que rezamos, meditemos, considerando todas as maravilhas que Deus operou na sua alma santíssima.

 

Cristo AmiensTerceiro mistério luminoso:

 

Anuncio do Reino de Deus e o convite à conversão.

 

“Jesus dirigiu-se para a Galiléia. Pregava o Evangelho de Deus e dizia: completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho.” 
 (Mc. 1, 14-15)

 

 

Oração Inicial

Oh! Virgem Santíssima, queremos reparar o Vosso Sapiencial Coração e para isso pedimos especiais graças, por causa de tantas ofensas que recebeis continuamente desta humanidade que se encontra perdida entre tantos pecados e tantos horrores.
Assim sendo, Senhora, é também através desta meditação que poderemos aproximar de nosso fim último, aquele para o qual fomos criados. Para isso, pedimos luzes especiais para a nossa inteligência, entusiasmo para nossa vontade, consolação para a nossa sensibilidade, a fim de contemplarmos bem este mistério do Rosário que hoje vamos meditar; e estejais presente, Senhora, a cada passo da nossa vida.
Assim seja!

 

 I – O que vém a ser o Reino de Deus?


Buen Dieu“Eis um ensinamento novo, e feito com autoridade; além disso, ele manda até nos espíritos imundos e lhe obedecem!”
(Mc. 1, 27)

 

Curava estas e aquelas doenças com tal eficácia, que nenhum médico, hospital ou qualquer medicamento conseguia fazer igual.

Curava, perdoava os pecados, expulsava os demônios ensinando que era preciso todos se preparassem porque o Reino de Deus estava próximo.

Mas o que é propriamente este Reino? Vamos nos aprofundar no conhecimento e significado exatos do que possa ser este Reino.

Os judeus a partir do ano 587 perderam o seu último rei. Desta data até a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, não tiveram mais um governo independente, com exceção de um curto período na época dos Macabeus. Por isso, o que os judeus mais queriam era a restauração de um reino humano. Contudo não era deste reino que Jesus falava; Ele se referia ao Reino da Graça, ao Reino da Igreja Católica, ao Reino da Glória. Quando falamos em Reino de Deus, devemos nos lembrar das palavras de Jesus a Pilatos: “Meu Reino não é deste mundo…” De fato, o reino deste mundo não é o d’Ele, o Reino de Jesus neste mundo está oculto no interior das almas, e na sua aparência, está na Igreja Católica, mas não como um governo humano.

Vamos meditar o que constitui o verdadeiro Reino de Deus: o reino da Graça na Igreja.

1 – O Reino da Graça!

O que é a graça? Segundo o Catecismo, é um dom gratuito criado por Deus, infundido na alma do homem e que nos faz participar física e formalmente de Deus.

Na relação pais/filhos temos duas figuras de filiação: a natural e a adotiva. O que é a  adoção? Uma família tem um filho e o quer entregar aos cuidados de uma outra família. O que fazem? Ambas famílias vão ao Cartório e a 1ª família passa seus direitos sobre a criança para a 2ª família. Aquela criança que tem seu sangue e sua origem em seus pais, passa juridicamente a pertencer àquela família que a adotou. Mas com a criança nada acontece, ela continua  a ser a mesma e é possível que mais tarde esta criança queira conhecer os seus verdadeiros pais, de tal maneira está ligada a eles.

Por ocasião do batismo o sacerdote derrama água sobre a cabeça da criança dizendo: eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; o que se passa nesse momento? Não é um registro de documento feito em Cartório; a criança já não é mera criatura, ela, a partir deste momento, recebe o título de filha de Deus. Neste ato passa-se algo na alma da própria criatura que é um verdadeiro milagre – ela passa a participar da natureza divina. Seria mais ou menos como tomar uma formiga e fazê-la participar da natureza humana. No entanto, é  muito menos fazer uma formiga passar pertencer à natureza humana, do que aquela criança passar a participar da vida divina. Ela passou a ter a vida de Deus em si; nela são infundidas todas as virtudes, todos os dons; ela passa a participar dos méritos de Jesus Cristo.

Antes do Batismo toda criatura está fora da lei da graça, pois, este é o estado de todos aqueles que não receberam esse sacramento. Toda criatura carrega consigo o pecado Original, e assim sendo, é rejeitada por Deus. Entretanto, recebendo o Batismo esta condição muda totalmente – os teólogos não encontraram uma metáfora para explicar o que acontece neste momento – mas dá-se, mais ou menos como se todo o sangue da criança fosse retirado por uma das veias, e por outra fosse introduzido o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ela passa a participar da divindade a partir deste momento, tornando-se assim, realmente filha de Deus. Com isso penetra na alma dela como Pai e como Amigo a Deus uno e trino – Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Ela passa a ser tabernáculo de Deus, a tal ponto, que nos primeiros tempos do Cristianismo não era só a Bíblia, não era só o altar, que eram usados para se fazer os juramentos, eram tomadas, não poucas vezes, as crianças recém-batizadas e as partes faziam o juramento colocando a mão sobre o peito desta criança, para atestar diante da Santíssima Trindade o que estavam falando era a verdade. Essa era a noção que se tinha, que Deus nela estava presente.

2 – Exemplos: conversa com Nicodemos e a samaritana.

Quando Jesus conversa com Nicodemos,diz a ele que se não renascesse de novo, não teria a vida. Para renascer, era preciso que a vida divina penetrasse nele.

Mais claro ainda será Jesus com a samaritana, quando diz que ela daria a Ele uma água que possibilitava matar a sede, mas que Ele poderia dar uma outra água, que uma vez bebida, a pessoa não tornaria a ter mais sede.

Muito mais do que os exemplos de Nicodemos e da samaritana, nós vamos encontrar esta vida bem expressa naquela cena em que os Apóstolos – que estavam acostumados com São João Batista a aprender esta ou aquela oração – voltam-se para Nosso Senhor e pedem que os ensinassem a rezar. Jesus dá a eles a mais bela, a mais perfeita, a mais extraordinária das orações:  “Pai Nosso que estais no céu, santificado seja o Vosso nome. Venha a nós o Vosso Reino…”. Aí está o Reino de Deus proclamado no Pai Nosso – Venha a nós o Vosso Reino.      É este o desejo que devemos ter: que o Reino que existe na Glória, se estabeleça também sobre a face da Terra. Sobretudo que este Reino se estabeleça, se efetue, se torne forte, no fundo dos nossos corações.          

Seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como ela é feita no Céu. Portanto, que a vontade de Deus tal qual ela é no Céu, seja estabelecida também neste mundo.

 

II – O alimento do Reino de Deus !

Ficará ainda mais claro o que é este Reino da Graça, na descrição feita por São João, a respeito da maravilhas da Eucaristia, no sermão feito por Nosso Senhor.

Evangelho de João 6, 35, 51, 54 –  “Eu sou o pão da vida: aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede.”  * “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo”. * “Quem como a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia”.

Vemos nestas citações que o  Reino de Deus e o Reino da Graça, é a graça vivendo em nós; é a graça que começa com o Batismo, que se fortifica com a Crisma. É a graça que cresce quando nos alimentamos com a sagrada Eucaristia Para isso, Nosso Senhor deixou-se ficar em Corpo, Alma e Divindade, debaixo das espécies eucarísticas, para aumentar esse Reino de Deus que existe dentro de cada de nós.

No entanto esse Reino tem um grande adversário: o pecado. Por isso, devo fazer de tudo para evitar o pecado, a fim de manter vivo no fundo de minha alma esse Reino.

É uma loucura o pecado; ele nos traz muitas vezes um prazer fugaz, são trinta segundos, um minuto, depois o que acontece comigo? Perco o Reino de Deus, deixo de participar da natureza divina, volto ao meu estado de maldição, porque quem peca se torna inimigo de Deus. Entretanto Ele é tão misericordioso que nos deixou o sacramento da Penitência. Depois de uma confissão bem feita, tudo o que tínhamos perdido, nos é devolvido.                                                

1 – Ponto de reflexão:

Nós fomos criados não para viver neste mundo. Os adoradores deste mundo quereriam perpetuar sua existência, ainda que sofrendo, para poder gozar sem limites as alegrias fugazes, que se evaporam com toda a facilidade. Nós somos criados para uma alegria eterna, para a glória eterna.

Diz o Evangelho que na casa do Pai há muitas moradas, “se não fosse assim eu vô-lo diria”. Mais adiante Jesus diz: quando eu estiver ido, e vos tenha preparado um lugar, de novo retornarei e vos tomarei comigo, para que, onde eu estou, estejais também vós. A palavra de Jesus é lei, se Ele disse que vai preparar, é porque vai preparar mesmo e Ele tem preparado para cada um de nós um lugar no céu.

Ele disse que voltará para nos levar para o céu –  é o que acontece com aquele que morre na graça de Deus, Ele o toma e leva para o lugar que lhe preparou, desde toda a eternidade.      

Em vista de tudo isso quanto vale a pena evitar o pecado, porque se eu peco o que pode me acontecer? De repente um carro me pega, uma bala perdida me atravessa, e eu me apresento diante de Deus em estado de pecado. Por isso, devo ter um amor a Deus intenso e crescente,  para que eu possa também ter um gozo junto a Ele que nunca se acabará.

 

Oração Final

Oh! Rainha do céu e da terra, Vós que sois soberana deste Reino tão maravilhoso que é o Reino da Graça, o Reino da Igreja, que é o Reino da Glória, tende misericórdia, tende bondade, perdoai as minhas faltas; daí-me graças para nunca pecar, daí-me graças de compreender as belezas que perderei se sucumbir quando o demônio me tentar para praticar o que não é licito, daí-me a graça de sempre me afastar do mal; que eu não tenha delírios por aquela roupa imoral, que eu não tenha delírios por aquele pecado horroroso, mas, pelo contrário, que eu me deixe tomar, me entusiasmar, pelas maravilhas do céu, para as maravilhas para as quais me criastes; Senhora! Eu quero estar convosco no céu; daí-me esta graça. Assim seja!!!

(Meditação – 1º de julho de 2006 -Mons. João S.Clá Dias – Catedral da Sé, São Paulo.)

 

Meditação para o Primeiro Sábado de maio

 

A instituição da Eucaristia

  

Eucaristia“Eu sou o Pão vivo descido do Céu…
Quem comer deste Pão, viverá eternamente;
e o Pão que Eu darei é a Minha carne para a salvação do mundo”. (Jo 6, 51).

 

Introdução:

Em união com toda a Igreja no Brasil, escolhemos o tema deste quinto mistério luminoso do Santo Rosário: A Instituição da Eucaristia, porque nos dias 13 a 16 de maio 2010 realizar-se-á, o XVI Congresso Eucarístico, cujo tema é “Eucaristia, Pão da Unidade dos Discípulos e Missionários-Fica Conosco, Senhor”!

 

PREFÁCIO:

Ao comer o fruto proibido, nossos primeiros pais pecaram e entrou no mundo a morte.
Por meio de outro alimento, o “Pão descido do Céu”, foi-nos restituído a vida.
Na Eucaristia, o próprio Deus Se oferece ao homem como comida, dando-lhe infinitamente mais do que havia perdido!

 

I – Jesus é incompreendido…

Como era possível a alguém contestar as claras afirmações de Jesus a respeito de Sua divindade e desprezar os Seus divinos atributos? Como duvidar de Nosso Senhor ante provas tão evidentes: cura de todo tipo de doenças, libertação de possessões diabólicas, ressurreições e outros milagres assombrosos, entre os quais a mudança da água em vinho, ou a multiplicação de pães e peixes, ocorrida pouco depois de anunciar a Eucaristia?
O que levava seus contemporâneos a tal atitude?

 

1 – Quando no homem prepondera a matéria …

 A natureza humana é um composto de espírito e matéria – a alma e o corpo – na qual há uma hierarquia em que a parte espiritual deve governar a material, o que ocorre pela prática da virtude, com o auxílio da graça. Mas, quando o homem se deixa dominar pelas potências inferiores, as paixões desregradas exercem uma tirania sobre a parte mais nobre e elevada, e ele fica entregue ao vício. No primeiro caso predomina o espírito e dizemos estar diante do homem espiritual; no segundo, prepondera a matéria: é o homem carnal, materialista.

 

2 – Psicologia do homenm carnal:

Detenhamo-nos um pouco no segundo caso, procurando descrever alguns traços da psicologia do homem carnal, para melhor compreendermos a dureza de coração dos contemporâneos de Jesus.

O materialista está voltado principalmente para a fruição sensível da vida. Seus horizontes intelectuais pouco mais abarcam do que a realidade concreta. Dir-se-ia ter perdido a capacidade de ver os fatos em três dimensões, passando a observar tudo apenas num plano só, o dos seus pequenos interesses pessoais e imediatos, sem a profundidade do que é eterno. Por isso, não é capaz de captar as realidade mais elevadas, de ordem sobrenatural.

O materialista é um míope do espírito. Torna-se incapaz de elevar o olhar para os grandes horizontes da Fé que Deus lhe oferece misericordiosameente.

 

 3 – Visualização deformada dos contemporâneos de Jesus.

É essa impostação distorcida do espírito que levava os contemporâneos de Jesus a verem nEle apenas o filho do carpinteiro José, e nada mais. Eram incapazes de admirar e venerar Suas excelsas virtudes, nas quais não podia deixar de transparecer Sua divindade, por terem o espírito endurecido pela consideração apenas da realidade concreta, imediata e visível. Não podiam admitir que Aquele que tinham visto crescer e vivia entre eles pudesse ser Deus e homem: “Como, pois, diz Ele: Desci do Céu?” (Jo 6, 42).

 Divisor

 

 

II – O Principal obstáculo para crer na Eucaristia.

Era dessa visualização materialista que nascia a impossibilidade de aceitar o maior dom de Deus à humanidade: a Eucaristia !!

Com efeito, as realidades visíveis são imagens das realidades invisíveis e sobrenaturais, como ensina São Paulo: “Desde a criação do mundo, as perfeições de Deus, o Seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência, por Suas obras” (Rm 1, 20). Mas, para ter essa visão do universo é necessário ser homem espiritual.

Ora, carnal e voltado para a realidade concreta, não poderia a grande parte do povo judeu compreender quando falava de um “Pão descido do Céu”, que lhes traria a vida eterna. Para eles, a finalidade única do alimento era sustentar a vida material do homem. Seu intelecto dificilmente poderia se alçar a essa verdade transcendente: ao criar o homem com a necessidade de nutrir-se, Deus tinha em vista a instituição da Eucaristia, para poder sustentar, por meio do “Pão descido do Céu”, sua vida sobrenatural.

 

III – O pecado original foi cometido pelo abuso de um alimento; e a salvação eterna nos vem através de outro: a Eucaristia !

 A alimentação, além da finalidade imediata de manter a vida do homem, tem também um importante papel social: o de unir as pessoas. Por exemplo, é em torno da mesa que a família se reúne diariamente e põe em comum, não só os alimentos, mas também os sentimentos, os ideais, o modo de ser e até os problemas caseiros. É à mesa que se desenvolve a conversa e os pais têm uma das melhores ocasiões de ir formando o espírito dos filhos.

 

1- O alimento favorece a união dos que o partilham.

O fato de se sentarem todos juntos para fazer a refeição estabelece um especial traço de união entre os membros de uma família, de um grupo de amigos ou de uma comunidade religiosa, que vai além das simples iguarias para valores mais altos. O alimento possui algo que favorece a união daqueles que o partilham. Os vínculos familiares, sociais ou religiosos se fortalecem e a verdadeira amizade se consolida.

É também em torno da mesa que se realizam as comemorações dos pequenos ou grandes fatos da vida.

 

2 – A morte entrou pelo mau uso do alimento …

Mesmo no Paraíso Terrestre, onde o homem tinha os instintos perfeitamente ordenados, é de se supor que, se não tivesse havido pecado e a vida se desenvolvesse normalmente, também seria em torno da mesa que transcorreriam os melhores momentos do convívio social e familiar.

E como o maior dom de Deus à humanidade seria dado sob a forma de alimento, foi através de um elemento nutriente que o Criador quis pôr à prova nossos primeiros pais, para depois conceder-lhes tão alta dádiva: “Podes comer do fruto de todas as árvores do jardim; mas não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal, porque no dia em que dele comeres, morrerás indubitavelmente” (Gn 2, 16-17).

É esta a forma caracteristica do agir de Deus. Pede uma pequena renúncia para depois dar, em recompensa, uma infinitude.

 

3 – A Eucaristia a resposta de Deus ao pecado Original.

Quando Adão comeu o fruto proibido, entrou a morte no mundo; por meio do “Pão descido do Céu”, nos foi restituida a Vida: “Quem comer deste pão viverá eternamente” (Jo 6, 51).

O primeiro pecado foi cometido pelo abuso de um alimento, e a salvação eterna nos vem através de outro. A Eucaristia se apresenta como uma resposta, da parte de Deus, ao pecado original, dando aos filhos de Adão infinitamente mais do que haviam perdido: é o próprio Deus que Se oferece em alimento ao homem.

Não há possibilidade de um dar-se maior do que a Eucaristia …

… “E o Pão que Eu darei é a minha carne para a salvação do mundo” (Jo 6, 51b).

 

Meu Deus! Eu creio, adoro, espero e amo-Vos! Peço–Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam. (Oração ditada pelo Anjo da Paz, aos Três Pastorinhos de Fátima).

 Cfr. Revista Arautos do Evangelho, nº 92, agosto 2009, pp.11-12 – Mons.João S.Clá Dias

 

 IV – A instituição da Eucaristia na Ultima Ceia

 “Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo Tomai e comei, isto é o meu corpo”. Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: “Bebei dele todos, porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado popr muitos homens em remissão dos pecados. Digo-vos: doravante não beberei mais desse fruto da vinha até o dia em que o beberei de novo convosco no Reino de meu Pai”. (Mt.26, 26-29)

 

Que mais poderia nos ter dado Jesus ? Fez-se comida e bebida para podermos participar eternamente da sua própria vida. Desceu do mais alto dos Céus assumindo a substância do pão e do vinho para elevar-nos ao convívio de Deus.

O sacerdote católico recebeu a grande glória de poder emprestar sua laringe e suas mãos ao Divino Mestre, para que, sobre o altar, se opere um dos maiores milagres -e o mais frequente deles- da História da humanidade: a transubstanciação. Quer dizer, a substância pão e a substância vinho cedem lugar à substância Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

De fato, pela nossa inteligência, jamais chegaríamos a penetrar nesse mistério tão sagrado. Nem sequer os demônios, que, embora decaídos, são de natureza angélica, e portanto superior à nossa, conseguem discernir nas aparências do pão e do vinho o Homem-Deus. Só mesmo a Fé nos faz penetrar nesse mistério sagrado.(3)

Ao comungarmos, nós nos assemelhamos a Maria, por momentos, possuindo o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus em nossas entranhas.

 

Aplicação: Nesta meditação somos convidados a progredir muitíssimo no amor ao culto eucarístico, na adoração ao Santíssimo Sacramento, no aprofundamento da piedade, na devoção a Jesus-Hóstia, etc. e tirar desse convivio um proveito enorme para a nossa vida, porque nada consola mais do que a Eucaristia. Por exemplo, peçamos a Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento a graça de crescer ardorosamente na devoção eucarística, e de jamais perdermos a oportunidade de comungar com toda a fé, esperança e amor.

 

Coração Eucarístico de Jesus, fonte de toda consolação; tende piedade de nós!

 

Oração final: Ó Maria, Vós que sois a maior devota do Santíssimo Sacramento, ardente de amor a Deus em Vosso Imaculado Coração, nos convidando a sermos devotíssimos da Eucaristia, suplicamos que aceiteis esta meditação em desagravo ao Vosso Sapiencial e Imaculado Coração. Concedei-nos graças sobre graças na linha de compreendermos bem o tesouro que possuímos, o mais belo e o mais essencialmente elevado dos sacramentos e dai-nos um ardor extraordinário pela Eucaristia como Vós tivestes.

Minha Mãe, aqui estamos para que nos transformeis em ardorosos adoradores da Eucaristia!

Assim seja!

 

A vitória de Cristo sobre a morte

 

O Fundador comenta…

Monsenhor JoãoMons. João Scognamiglio Clá Dias, EP

Tomados de adoração, uma vez mais acompanhamos ao longo da Semana da Paixão, o quanto a morte teve uma aparente vitória no Calvário.

Todos que por ali passavam podiam constatar a “derrota” de Quem tanto poder havia manifestado não só nas incontáveis curas por Ele operadas, como também em Seu caminhar sobre as águas ou nas duas vezes em que multiplicou os pães. Os mares e os ventos Lhe obedeciam, e até mesmo os demônios eram, por sua determinação, desalojados e expulsos. Aquele mesmo que tantos milagres prodigalizara havia sido crucificado entre dois ladrões…

Porém, a maneira pela qual fora removida a pedra do sepulcro e o desaparecimento dos guardas, eram de si, uma prova sensível do quanto havia sido derrotada a morte, conforme o próprio São Paulo comenta: “A morte foi tragada pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (1 Cor 15, 55).

Os fatos subseqüentes tornaram ainda mais patente a triunfante Ressurreição de Cristo e a vitória, não só sobre Sua própria morte, como também sobre a nossa. Ele é a cabeça do Corpo Místico e, tendo ressuscitado, trará necessariamente a nossa respectiva ressurreição, pois esta nos é garantida pela presença dEle no Céu, apesar de estarmos, por ora, submetidos ao império da morte. De maneira paradoxal, aquele sepulcro violentamente aberto a partir de seu interior, deu à morte um significado oposto, passou ela a ser o símbolo da entrada na vida, pois Cristo quis “destruir pela sua morte aquele que tinha o império da morte, isto é, o demônio”, e assim libertar os que “estavam em escravidão toda a vida” (Hb 2, 14).

São Paulo tem sua alma transbordante de alegria em face da realidade da Ressurreição de Cristo e nela encontramos nosso triunfo sobre a morte, tal qual ele próprio nos diz: “E assim como todos morreram em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” (1 Cor 15, 22).

Posteriormente, não só o demônio e a morte, mas o próprio mundo foi derrotado: inúmeros pagãos passaram a se converter e muitos entregaram a própria vida para defender a cruz, animados pelas luzes da ressurreição do Salvador. Em função dela, passaram a ser acolhidos no Corpo Místico

todos os batizados que, revitalizados pela graça e sem deixarem de estar incluídos no mundo, tornaram perpétuo o triunfo de Cristo: “Tende confiança! Eu venci o mundo” (Jo 16, 33).

Trata-se, portanto, de uma vitória ininterrupta, mantendo seu rútilo fulgor tal qual no dia de Sua ressurreição, sem uma fímbria sequer de diminuição. Com a redenção, Cristo lacrou as portas do seio de Abraão depois de ter libertado, de seu interior, as almas que ali aguardavam a entrada no gozo da glória eterna.

Essas são algumas considerações que nos facilitam compreender o porquê de ser a Páscoa da Ressurreição a festa das festas, a solenidade das solenidades, pois o mistério nela presente é de suma importância para a história da Cristandade, tal como afirma São Paulo: “Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé” (1 Cor 15, 14).

Podemos afirmar também ser a Ressurreição a festa de nossa esperança, pelo fato de nela encontrarmos não só o extraordinário triunfo de Cristo, como também o nosso próprio, pois se Ele ressurgiu dos mortos, o mesmo se passará

conosco. E é em vista desse futuro triunfo nosso que desde já nos é feito o convite para abandonarmos os apegos a este mundo, sem olhar para trás, fixando nossa atenção nos absolutos celestes, conforme nos aconselha o Apóstolo: “Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra. Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo, em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com Ele na glória” (Cl 3, 1-4).

Aí está mais uma maravilha a aumentar a nossa esperança de que alcançaremos a verdadeira e eterna felicidade, garantida pelo próprio Cristo Ressurrecto.

(Extraído do Boletim-informativo “Maria Rainha dos Corações”, nº 40)

 

O fundador comenta

A partir de hoje, estaremos colocando no blog do Apostolado do Oratório, comentários de Monsenhor João Clá Dias sobre os evangelhos, extraídos do boletim-informativo “Maria Rainha dos Corações”.

A leitura do Evangelho do domingo passado (II° domingo do tempo comum) referia-se às Bodas de Caná. Transcrevemos a seguir, um trecho de um comentário de Monsenhor João Clá Dias sobre este Evangelho.

 

As Bodas de Caná e o papel de MariaMonsenhor João

Caná era uma cidade maior do que Nazaré. A História nada registra sobre o motivo por que Jesus e Maria foram convidados para o casamento.

As Bodas de Caná simbolizavam o lar católico como dever ser, e indica a conduta a seguir face aos problemas e dificuldades da vida. Ali está prefigurada a família cristâ assistida por Cristo, através da intercessão de Maria. A partir desse episódio, todos os cônjuges, até o fim do mundo, devem firmar-se na certeza de que Jesus solucionará qualquer drama ou aflição, se invocarem a onipotente mediação de Maria.

E foi numa festa de casamento que, a pedido de sua Mãe, Jesus quis realizar seu primeiro milagre: a transformação da água em vinho (Jo 2,1-11).

Jesus operou esse milagre para inculcar-nos a convicção de que, apesar de não haver chegado a Sua hora, por uma palavra dos lábios da Mãe, Ele nos atenderá. Eis que em Caná abriu-se uma nova era na espiritualidade do gênero humano, com a inauguração de um especial regime da graça: a intercessão de Maria.

Imaculado Coração de MariaEm Caná, Maria nos ensina algo muito importante: apesar da negação de Jesus, Ela ordena aos criados fazerem tudo quanto Este lhes dissesse. Não havia Ele dito que não chegara ainda sua hora? Fica, portanto, em quem lê o Evangelho, a impressão de Maria não ter feito caso dessa resposta negativa…

Acontece que há algumas determinações de Deus que são condicionadas aos nossos desejos e reações. Ou seja, elas se cumprirão ou não, dependendo da nossa colaboração. Se Maria não tivesse recomendado aos serventes que agissem de acordo com as orientações de Jesus, os nubentes e seus convidados não teriam tomado o melhor dos vinhos da História, nem os Apóstolos assistido a tão grandioso milagre. Em Caná, aprendemos de Maria o quanto Deus quer a nossa colaboração em sua obra.

Devido a esse sublime papel de medianeira e de onipotência suplicante da Santíssima Virgem, que se inicia publicamente nas Bodas de Caná, talvez pudéssemos dividir a História da espiritualidade em duas grandes eras: antes de Maria e depois de Maria.

(Extraído do boletim-informativo “Maria Rainha dos Corações” n° 25)

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