A origem do Presépio

Presépio montado na sede do Apostolado do Oratório, em São Paulo

Quem inventou o presépio?

Foi São Francisco de Assis quem armou o primeiro presépio da história, na noite de Natal de 1223, na localidade de Greccio, na Itália. Ele é o inventor do presépio, mas nunca cobrou direitos de autor, nem de propriedade intelectual. São Francisco de Assis quis celebrar o Natal da forma mais realista possível e, com a permissão do papa, montou um presépio de palha, com uma imagem do Menino Jesus, da Virgem Maria e de José, juntamente com um boi e um jumento vivos. Nesse cenário, foi celebrada a missa de Natal. O costume espalhou-se pela Europa e daqui pelo mundo. A Igreja Católica considera um bom costume cristão armar presépios no período do Natal nas igrejas, casas e até nas praças e locais públicos.

Qual o simbolismo das cores do Natal?

O verde, o vermelho e o dourado são as cores dominantes no Natal. O verde é símbolo primaveril de renovação, esperança e regeneração. O verde das plantas capta a energia solar e pelo processo da fotossíntese e a transforma em energia vital. O vermelho está ligado ao fogo, à redenção e ao amor divino. O dourado também é utilizado e está associado ao sol, à luz, à sabedoria e ao Reino vindouro. Para a tradição católica há uma relação entre essas três cores e os presentes dos Reis Magos: ouro (dourado), incenso (vermelho) e mirra (verde).

Qual o significado da guirlanda na porta?

Um dos sinais mais visíveis do Natal é a guirlanda, colocada na porta de entrada das casas, feito uma coroa. Essa guirlanda circular é feita de ramos vegetais entrelaçados e enfeitados com fitas, sinos e objetos  O entrelaçamento desses dois ramos simboliza o Mistério da Encarnação do Verbo Divino. Deus se fez carne e habitou entre nós. Ele tomou corpo humano. Para os católicos, Jesus Cristo é verdadeiro  Deus e verdadeiro homem. As duas naturezas, divina e humana, se entrelaçaram, como dois ramos que se buscavam num mesmo jardim.

Por que a guirlanda do natal é verde?

O verde é a cor da esperança. No Hemisfério Norte, de clima temperado, o Natal ocorre em pleno inverno. Com o frio, a vegetação perde as folhas. As únicas árvores verdes são os pinheiros (usados na árvore de Natal) e arbustos de folhas coriáceas (usados na guirlanda). Alguns ainda apresentam, em Dezembro  pequenos frutos vermelhos. Eles não caem e permanecem nos ramos. Essas plantas secam sem murchar, e ao secar não perdem a cor verde ou os frutos e mantém a vivacidade. Algumas são conhecidas como sempre-vivas ou sempre-verdes. Muitas vezes as guirlandas são entrelaçadas com fitas vermelhas, sinal colorido de frutificação. Os detalhes dourados prefiguram a glória do Reino futuro.

Qual o significado das coroas?

A guirlanda, a Coroa do Advento, as coras de flores, todas significam: vitória. Nomes como Estéfano, Estêvão e Stefane, por exemplo, vem do grego stephanos, coroa, e evocam uma vitória, um coroamento. Antes, o nome designava a coroa de louros, símbolo da vitória de atletas e guerreiros, ainda entregues no dia de hoje aos vencedores de automobilismo, hipismo e, especialmente, nas Olimpíadas. Com o sacrifício do primeiro mártir do cristianismo, Santo Estêvão  ela passou a significar a coroa do martírio ou do testemunho (At 7,54-60). A guirlanda do Natal representa um coroamento do lar, da família, da sua união e do fim do ano.

Dá para coroar o tempo?

Dá. E o católicos gostam de coroar o tempo. A Coroa do Advento, um outro símbolo natalino, é feita de ramos entrelaçados. Eles formam um círculo, no qual são colocadas quatro grandes velas, de preferência de cor roxa (cor do tempo litúrgico). Elas representam as quatro semanas do Advento, o Tempo do Natal. Nas igrejas, essa coroa deve ser colocada em um lugar evidente no presbitério, bem perto do altar ou do púlpito, sobre uma mesinha, um tronco de árvore ou em qualquer outro lugar bem visível. Essa colocação é recomendada até pelo Pontifício Instituto Litúrgico de Santo Anselmo de Roma. Nas casas, a Coroa do Advento costuma ser colocada numa mesa da sala ou num lugar bem central.

Como acender a Coroa do Advento?

Além do uso de fósforo ou isqueiro, um rito natalino acompanha a Coroa do Advento: a ordem do acendimento das suas velas. A cada domingo, em geral à noite, uma vela é acesa. No primeiro domingo uma, no segundo duas, até serem acesas as quatro velas no quarto domingo. Essa luz nascente indica a proximidade do Natal, quando Cristo Salvador e Luz do mundo brilhará para toda a humanidade. A cor roxa das velas, a mesma do período da Quaresma, convida a purificar os corações para acolher o Cristo que vem. Às vezes existem coroas com velas de cor rosa. Elas evocam a alegria: o Senhor está próximo. Os detalhes dourados, como em todos os áureos símbolos natalinos, prefiguram a glória do Reino que virá.

Onde surgiu a tradição da Coroa do Advento?

A tradição da Coroa do Advento surgiu no norte da Alemanha e na Escandinávia, no século XVI, para preparar os católicos para a Festa de Natal, quatro semanas depois. Na Suécia, a Coroa do Advento é reservada para a Festa de Santa Luzia no dia 13 de Dezembro. Do norte da Europa, o costume ganhou o mundo com uma nova maneira de atualizar o antigo tema do Natal de Jesus.

Qual o simbolismo das quatro velas?

Ao ser colocada na casa, a Coroa do Advento aparece sem luz e sem brilho. Para os católicos, ela recorda a experiência de escuridão do pecado. A primeira vela lembra o perdão concedido a Adão e Eva. A segunda simboliza a fé de Abraão e dos outros patriarcas, a quem foi anunciada a Terra Prometida. A terceira lembra a alegria do Rei Davi que recebeu de Deus a promessa de uma aliança eterna. A quarta recorda os profetas que anunciaram a chegada do Salvador.
 
Por que meias e sapatos na janela no dia de Natal?

A tradição de pendurar meias na lareira ou deixar sapatos na janela, originou-se de uma das muitas histórias sobre São Nicolau, em quem se inspirava a figura do pai Natal. No passado, para uma moça era indispensável dispor de um dote para se casar. São Nicolau soube da triste situação de uma família, sem o recurso para o dote das filhas. Secretamente, ele jogou três pequenos sacos com moedas de ouro pela chaminé da casa da família. Os sacos caíram dentro das meias das moças, pendurados na lareira para secar. Em outras versões foi pela janela, e caíram dentro de uns sapatos. Enfim, São Nicolau era generoso e bom de arremesso.

Pai Natal era turco?

Era. O rechonchudo Pai Natal é amado por crianças e adultos, com as suas barbas e cabelos brancos, óculos redondos e um saco às costas. O personagem do Pai Natal foi inspirado em São Nicolau Taumaturgo, arcebispo de Mira, no século IV. São Nicolau nasceu em 280 em Patara (Patras), na atual Turquia, e morreu aos 41 anos. Ele acostumava ajudar, anonimamente, quem estivesse em dificuldades financeiras. Bondoso e generoso, nas várias histórias a seu respeito, São Nicolau sempre oferecia presentes aos pobres e salvava marinheiros vítimas de tempestades. “Um certo nobre, seu vizinho, pensou em prostituir as suas três filhas virgens por falta de recursos, para, com o infame comércio delas, se poder sustentar. Quando o santo homem soube, ficou horrorizado com o crime e atirou uma quantidade de ouro envolvida num pano através de uma das janelas da casa onde ele morava e regressou à sua às escondidas. Foi declarado santo após muitos milagres lhe serem atribuídos. São Nicolau também tornou-se padroeiro das crianças e dos marinheiros. E ao Pai Natal as crianças passaram a pedir os presentes com antecedência, para ganhá-los no Natal.

Porque a troca de presentes no natal?

O costume de dar e trocar presentes é o resultado de vários aspectos ligados ao nascimento de Nosso Senhor. Pelo Mistério da Encarnação, Deus se fez presente. Dar presente é uma forma de estar presente na vida do outro. Esse gesto evoca a presença dos Reis Magos junto a Cristo e à Sagrada Família, entregando presentes. O presente é uma lembrança, é um lembrar-se do outro, mesmo quando é uma “lembrancinha”. A compra de presentes, a mobilização do comércio e os apelos ao consumo, aliado a disponibilidade do 13º salário e vários outros mecanismos, deram um impulso consumista e nada católico ao Tempo do Natal.

Quem inventou a flor do Natal?

Em primeiro lugar a natureza. Em segundo lugar, esse símbolo vegetal não vem dos astecas e sim dos franciscanos, especialistas em criar novidades para o Natal. A partir do século XVII, no México, a flor da poinsétia começou a ter um significado natalício. Os frades franciscanos utilizaram-na em comemorações natalinas e associaram as formas de suas brácteas vermelhas à estrela de Belém. A planta é muito utilizada para fins decorativos na Europa e América do Norte, especialmente no Natal. Como é um planta de dia curto, floresce exatamente no solstício de inverno e coincide com o Natal no Hemisfério Norte.

EVARISTO EDUARDO DE MIRANDA, doutor em ecologia, autor do livro “Guia de curiosidades católicas”, recém editado pela Ed. Vozes e diretor do Instituto Ciência e Fé. Dirige a EMBRAPA Monitoramento Ambiental por Satélite, Campinas/SP.

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Veja também: Origem da Árvore de Natal

Sobre Apostolado do Oratório

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